Carlos Xavier pega 15 anos de cadeia


Para o juri popular, o ex-deputado encomendou a morte de um menor com quem a mulher tinha um caso

Suzano Almeida

O ex-deputado Carlos Xavier foi condenado pelo Tribunal do Júri de Samambaia a 15 anos de prisão por ter mandado matar o adolescente Ewerton da Rocha, de 16 anos, em março de 2004. A sentença prevê que o ex-distrital cumpra a pena inicialmente em regime fechado, mas deu a Xavier o direito de recorrer em liberdade.

Segundo acusação do Ministério Público, Carlos Xavier pagou R$ 15 mil para que dois rapazes matassem Ewerton, com quem sua esposa Maria Lúcia Xavier teria um caso. A trama foi intermediada pelo capoeirista e bicheiro Eduardo Gomes da Silva, que recrutou os jovens Wanderlei Matos, vulgo Nanam, seu filho, e Leandro Dias. Eles sequestraram Ewerton e o levaram até uma parada de ônibus, próxima ao Recanto das Emas, onde o espancaram e o assassinaram com dois tiros.

Acusação falsa

O ex-deputado alegava que a acusação contra ele teria sido uma farsa armada pelo então presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol-DF), o atualmente deputado distrital Wellington Luiz (PMDB). Mas os argumentos não convenceram os jurados, que o consideraram culpado após quase 15 horas de julgamento.

Wellington teria visitado fora do horário de visita Leandro Dias e, segundo Xavier, convencido o rapaz a incluir o ex-deputado como mandante do crime no caso.

Ponto de Vista

O deputado Wellington Luiz (PMDB) rebateu ontem as acusações de que teria participado de uma trama para incriminar o ex-distrital Carlos Xavier. “Ele passou dez anos calado sem falar nada sobre mim. Por que não procurou a corregedoria e me denunciou? Ele era um parlamentar e eu um simples agente. Se ele tivesse sendo extorquido duvido que tivesse ficado tanto tempo quieto”, argumenta o parlamentar. Wellington afirmou, ainda, que se encontrou apenas duas vezes com o autor da denúncia contra Xavier, o também acusado Leandro Dias, e que há pelo menos quatro pessoas que podem testemunhar que ele jamais interferiu nas investigações. “No final ficou provado que eu estava certo e que ele estava mentido”, disse o distrital. “Quando bandido é preso, tenta desqualificar quem o prendeu. O que o condenou foi o conjunto de provas” explicou.

Distrital acusa ex-diretor da polícia de falha

O depoimento do ex-diretor-geral da Polícia Civil, Laerte Bessa, foi criticado pelo deputado Wellington Luiz. O deputado transferiu possíveis falhas no processo de investigação de Carlos Xavier para a conta de Laerte.

O ex-diretor afirmou que encontrou erros na apuração do caso do então delegado-chefe da 27ª DP no Recanto das Emas, Mário Gomes. Por isso, com o auxílio da inteligência da Polícia Civil, quebrou, sem autorização da Justiça, o sigilo de dados dos acusados de envolvimento no caso. Laerte acusou Mário Gomes de “incompetente”.

“Ele é o incompetente. Se eu sou o diretor da polícia, pego um inquérito e vejo que ele tem erros eu imediatamente afasto o delegado do caso e avoco o caso para mim. Mas ele o manteve no cargo e nada fez. Por que não colocou o caso na homicídio?”, questionou Wellington.

Segundo o deputado, Laerte disse que sabia da culpa de Carlos Xavier e sequer queria atende-lo. “Agora que o escritório dele está com o caso o Xavier virou inocente”, provoca o distrital.

Wellington Luiz afirma que foi o próprio Laerte quem lhe falou sobre as provas contra Carlos Xavier e que, caso o ex-diretor negue as afirmações pedirá uma acariação com o delegado.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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