Capitão do tri, Carlos Alberto Torres morre aos 72 anos

Jorge Eduardo Antunes
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Dois bicampeões do Mundo travaram uma batalha épica no Estádio Azteca, na Cidade do México, naquela tarde de 21 de junho de 1970. Quem vencesse a partida levava para casa, para sempre, a Taça Jules Rimet e o domínio do futebol mundial.

Eram dois timaços. De um lado, a Itália de Facchetti, Sandro Mazzola, Gigi Riva e do jovem goleiro reserva Dino Zoff, mais tarde um mito nas traves da Azzurra.

Do outro, talvez a maior geração de craques do futebol brasileiro: Pelé, Gerson, Rivellino, Jairzinho, Clodoaldo, Tostão e o exuberante lateral-direito Carlos Alberto Torres, capitão daquela seleção de feras.

O talento da seleção canarinho, aliado ao sol do meio-dia na capital mexicana, colocou o Brasil em larga vantagem no segundo tempo daquela final. Com 3 x 1 no placar, o Brasil passeava em campo e trocava bolas com facilidade.

Aos 41 minutos do segundo tempo da final das finais, Tostão, o centroavante daquele time mágico, disputou uma bola na lateral esquerda defensiva, ganhando a pelota e tocando-a a Brito, que passou ao volante Clodoaldo. Este deu a Pelé, que tocou para Gerson e foi para frente.

O canhotinha de ouro devolveu a Clodoaldo, que driblou quatro italianos antes do meio de campo e deu a Rivellino, que fez o lançamento para Jairzinho. O atacante, que jogava mais pela direita, tinha ido para a esquerda, levando a marcação com ele e abrindo um caminho imenso pela lateral direita.

Jairzinho recebeu na intermediária italiana, avançou e cortou para o meio, rolando a bola para Pelé, na entrada da área italiana. O maior jogador de todos os tempos recebeu, dominou com a esquerda, penteou a criança e tocou para a direita, rolando a bola mansa no vazio que ficara quando Facchetti saiu atrás de Jairzinho.

Naquele corredor entrava o capitão Carlos Alberto Torres, com todo o fôlego de seus 26 anos. A bola ainda deu uma leve quicada no gramado do Azteca, e ficou à feição para a bomba de direita. O petardo saiu certeiro e forte, disparado já dentro da área, entrando no canto direito do goleiro Enrico Albertosi, sem a menor chance de defesa.

Brasil 4 x 1 e a taça do mundo era nossa de vez.

A rigor, Carlos Alberto Torres ainda iria participar de mais um momento histórico naquele dia, ao receber a Jules Rimet em definitivo, mas mãos de Gustavo Diaz Ordaz, então presidente do México. Beijou a taça e a ergueu bem alto, dando-a, em seguida aos companheiros de tricampeonato mundial, para, depois, pegar de novo o troféu, exibi-lo aos presentes no estádio e cumprimentar as autoridades.

Mais tarde, em 1986, ele teria que erguer a Jules Rimet outra vez, ao receber uma nova versão do troféu, feita pela Eastman Kodak, para substituir a taça original, roubada de dentro da sede da CBF em 1983, onde ficava exposta sem a menor segurança, enquanto a réplica estava trancada em um cofre forte…

Um dos maiores em campo

Torres era capitão no porte, na autoridade e no futebol. Surgiu em 1963, no Fluminense, clube que defendeu até 1966, marcando 9 gols em 98 jogos, marca rara para um lateral, à época. Ainda no primeiro ano de carreira, ganhou a medalha de ouro nos Jogos Panamericanos de São Paulo, mostrando que seria um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, e talvez o maior lateral-direito da história do futebol brasileiro, ao lado do mestre Djalma Santos.

Em 64, foi campeão carioca e em 66 deixou o tricolor das Laranjeiras para ingressar na máquina santista, um dos melhores times do mundo à época. Ficou no Santos por oito anos, com uma breve passagem, em 1971, pelo Botafogo, onde ficou três meses e 22 jogos. Pelo Alvinegro Praiano, marcou 40 gols em 445 jogos, média alta para um lateral-direito, conquistando os campeonatos paulistas de 65, 67, 68, 69 e 73, este dividido com a Portuguesa, o Rio-São Paulo de 66 e a Recopa Sulamericana de 68.

No final de 1974,voltou ao Flu, virando zagueiro da Máquina Tricolor montada por Francisco Horta, levando o bicampeonato carioca de 75/76. Em 77, após rápida passagem pelo Flamengo, rumou para Nova York, atuando ao lado de Pelé e Franz Beckenbauer no estelar New York Cosmos, ganhando os títulos da NASL em 77, 78, 80 e 82, ano em que pendurou as chuteiras.

Campeão logo na estreia como técnico

Abraçou a carreira de técnico em 1983, e logo foi campeão brasileiro dirigindo o Flamengo. Um ano mais arde, deu o Carioca ao Fluminense e, em 1993, a Copa Conmebol ao Botafogo, os times cariocas em que jogou e treinou.

Também comandou o Corinthians, o Náutico, o Atlético-MG, o Paysandu e Miami Freedom (EUA), Once Caldas (COL), Monterrey (MÈX), Tijuana (MÉX), Querétaro (Méx), Unión Magdalena (COL), e as seleções de Omã e do Azerbaijão. Em, 2005, após passagem pelo Paysandu, encerrou a carreira de técnico.

O capita, como era chamado, também foi vereador do Rio de Janeiro pelo PDT de Leonel Brizola, entre 1989 e 1993. Ultimamente estava atuando como comentarista do canal a cabo Sportv, onde participou domingo do programa “Troca de Passes”.

Carlos Alberto Torres morreu nesta terça-feira (25), aos 72 anos, no Rio de Janeiro. Ele foi vítima de um infarto fulminante, em casa. Foi casado três vezes: com Sueli, mãe dos filhos Andréa e Alexandre Torres, ex-jogador do Fluminense, Vasco e Nagoya Grampus (JAP); com a atriz Terezinha Sodré; e com Graça, sua atual esposa.

http://www.jornaldebrasilia.com.br/torcida/capitao-do-tri-carlos-alberto-torres-morre-aos-72-anos/

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