CAOS na Saúde Pública do DF, Somente agora, estão sendo atendidos os pedidos de consulta para a Ortopedia de 2010

Alessandra Tavares

Somente agora, estão sendo atendidos os pedidos de consulta para a Ortopedia de 2010

Três anos de espera  Dois anos já se passaram e até agora a copeira Alessandra Tavares, 27 anos, não conseguiu marcar a consulta com ortopedista de que tanto precisa. Embora o caso dela seja cirúrgico, a previsão para marcar a primeira avaliação com  médico não é animadora. Ela está com um cisto no punho esquerdo. Cansada de esperar,

Alessandra acionou a Ouvidoria da Saúde e se surpreendeu com a resposta: neste momento estão sendo atendidos os pedidos de consulta apresentados em 2010. Como ela fez a solicitação em 2011, só seria contemplada em 2014. O drama da copeira, porém, é mais longo. A doença, uma tendinite, começou a se manifestar há oito anos. Como nada foi feito durante todo este tempo, a cirurgia, que antes era somente estética, se tornou uma necessidade emergencial. “Eu sinto dores há mais de dois anos. O caso é tão complicado que chega a atra DECEPÇÃO Alessandra não gostou do que ouviu da Ouvidoria

RAFAELA FELICCIANO

“Se fosse um problema mais grave não sei o que seria de mim”, disse Alessandra palhar no trabalho que faço. Quando forço, por exemplo, o meu pulso dói. Até mesmo para carregar a bandeja se torna difícil”, explica a copeira. A peregrinação começou ao se consultar no clínico médico

em um posto de saúde de Samambaia. Ela recebeu o encaminhamento para a Ortopedia do Hospital de Taguatinga

(HRT). “Foi em 2011. Quando perguntei no hospital sobre a marcação de consultas para esta especialidade, eu já fui logo avisada pela funcionária que esperaria anos pela consulta. Acho um absurdo”, lamenta. Mesmo diante do relato, Alessandra se diz surpresa com o tempo de espera, que parece não ter fim. “Naquele dia eu tive ideia do que viria pela frente, mas por mais que a gente conheça a realidade da nossa saúde pública, existe sempre aquela esperança. Por isso é que só vou ao hospital em último caso”, dispara. Diante da necessidade, ela insiste. Há mais de um mês a copeira retornou à unidade de saúde para saber sobre o processo. “Fui novamente informada que não se tinha nem ideia de quando eu seria atendida, isto já tendo passado dois anos desde a minha inscrição.

Assim, fui aconselhada a reclamar na ouvidoria da Secretaria de Saúde”, cita. 
Alessandra enviou então um e-mail para a ouvidoria exigindo uma resposta. “Encaminhei no dia 16 maio e só me responderam no dia 17 deste mês. Ou seja, eles levaram 30 dias para me dizer que não vão me atender. Se fosse um problema mais grave, não sei o que seria de mim”, reclama. 


A Secretaria de Saúde promete um mutirão de consultas para breve, mas se para uma consulta é necessário esperar três anos, que dirá para a cirurgia. Além disso, os mutirões têm sido usados como paliativo. Falta uma medida definitiva por parte do governo.

 Esperar três anos por uma simples consulta é inimaginável. Após superado este processo, Alessandra deverá enfrentar uma nova batalha para finalmente ser operada e ter seu caso resolvido 

  Mais comuns do que se imagina  A especialista em gestão da saúde pública e professora pela UnB Helena Eri Shimizu constata que casos como o de Alessandra são comuns. O problema se prolonga quando o paciente precisa dar sequência ao tratamento. “Primeiro, é atendido na emergência, onde ele resolve em parte seu problema, mas a partir do encaminhamento para as especializações, ele passa a entrar em um processo de peregrinação na rede
pública”, destaca Helena. Nos casos cirúrgicos, a especialista destaca um tempo médio de espera acima de dois anos. “Temos um sistema bastante ineficiente, por isso, é muito comum este tempo de espera. Com isto, temos um aumento também dos casos judiciais, mas em sua maioria só são resolvidos com agilidade os casos de emergência”, diz.
Para Helena, isto não é o suficiente. “Sabemos que há os
casos de pacientes que são poucos visíveis à sociedade, mas que sofrem com a doença e não têm muito que fazer. Com isto, eles acabam por viver daquela
forma até que chegue o momento em que o caso se torne uma emergência. Um procedimento cirúrgico custa caro, o que está longe do alcance de
muitos pacientes”, comenta. Filas, demora no atendimento, falta de médico, estas características, já conhecidas, fazem parte da realidade da saúde pública brasileira. “As pessoas tem ido às ruas lutar por seus direitos porque elas se cansaram desta situação. Estamos com o atendimento público ruim de fato e a maioria tem sofrido muito”, finaliza. VIROU ROTINA Demora para consultas e cirurgias na rede pública é recorrente KLEBER LIMA
Vem aí mais mutirões. O promotor Jairo Bisol, da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde Pública, avalia que há uma demanda grande e uma estrutura limitada para atender à população. “Isto é reflexo da falta de gestão e desorganiza-ção, mas não é só por conta da falta de regulação  informatização das consultas. Também é consequência do deficit de pessoal”, afirma. Em resposta à demora na marcação de consultas na rede pública, a Secretaria de Saúde respondeu que irá realizar um mutirão de consultas.
Embora, não tenha informado quantas pessoas serão beneficiadas, a pasta informou que o prazo para ser feito é até o fim de julho. Com isto, Alessandra Tavares, que aguarda desde 2011 por uma consulta, deverá

Jornal na Hora H

Reprodução: “Blog A politica e o Poder”

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