Candidatos caem na web, mas devem se atualizar para encarar eleitor virtual


Candidatos caem na web, mas devem se atualizar para encarar eleitor virtual


Candidatos a cargos no pleito de outubro apostam cada vez mais na internet, com blogs e interações sociais. Mas especialistas apontam que os eleitores são muito ligados no assunto, e os concorrentes devem estudar antes de utilizar esses meios

Camila Costa
O presidente norte-americano, Barack Obama, conseguiu o primeiro mandato, em 2008, com o uso pioneiro das redes sociais na política. A aposta dos candidatos brasilienses chega um pouco atrasada, mas vem com força. Perfis de Facebook, no Instagram e no Twitter superativos, com posts a cada 10 minutos, são regra. Uma mobilização que ainda engatinha na cidade, mas com o objetivo claro de conquistar o voto dos usuários da internet.

Entretanto, é preciso cuidado com a utilização das novas mídias para não perder eleitores. “Os políticos têm que entender que está começando a ser desenhada uma relação renovada entre representantes e representados. Os últimos participam das mesmas redes, mas com política própria. E isso será cada vez maior.” A frase é do pesquisador em tecnologia da informação e agent provocateur da ikewai.com — uma rede de business designers baseada no Porto Digital, em Recife, Sílvio Meira. O especialista em informação nas redes afirma que o uso da plataforma na política brasileira é prospectivo em, pelo menos, dois aspectos: a maioria da população já está aprendendo como se usa os variados mecanismos e ainda não se sabe se haverá o retorno esperado nas urnas.

Mesmo sem essa certeza, os concorrentes não pouparam artifícios para saírem na frente. José Roberto Arruda (PR), candidato ao Palácio do Buriti, por exemplo, criou um endereço na internet para explicar o que chama de “golpe de 2009”. Na página, Arruda conta a sua versão, em vídeo do escândalo político conhecido como Caixa de Pandora.

Mas nem todos os candidatos apostam em páginas na internet. A maioria está ativa em redes mais interativas, como Twitter, Facebook e Instagram. Até o agitado Whatsapp tem sido usado em prol das campanhas políticas. O candidato à reeleição na Câmara dos Deputados Roberto Policarpo (PT) tem um número vinculado ao progama de conversação instantânea para que o eleitor possa “acompanhar” a rotina de campanha. Exemplo copiado da chefe: a presidente Dilma Roussef (PT), candidata à reeleição, também usa o bate-papo para interagir com com a população.

O atual governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), aumentou o uso das redes para a campanha eleitoral. Agora, além Twitter e Facebook — que possui contas dele e de amigos para espalhar as ideias do postulante —, o petista tem Instagram. O perfil é novo, tem apenas duas fotos publicadas e 33 seguidores. O deputado distrital Patrício (PT) é um dos mais ativos. É comum a publicação quase diária de um vídeo ou uma foto com as atividades políticas.

Segundo Sílvio Meira, este é um mecanismo a mais para fazer com que a mensagem do candidato chegue ao eleitor em potencial. Com uma ressalva: devido ao uso contínuo, os usuários de hoje têm o interesse — mesmo que mínimo — de buscar nas fontes de informação quem é o candidato e a quais interesses ele serve. “O cara que some durante quatro anos e vem atrás do voto na timeline (espaço de exposição de opiniões dentro do Facebook) do eleitor está à beira da falência. Os candidatos ao Senado, ao Governo e à Presidência sofrerão mais impacto”, comenta o pesquisador.

Perfil diferente
Toninho do Psol e Perci Marrara (PCO) investem no Facebook. Toninho abusa das fotos de compromissos de campanha e encontro com militantes, enquanto Perci prefere divulgar temas relacionados com os programas de governo. Luiz Pitimam (PSDB) e Rodrigo Rollemberg (PSB), apesar de terem perfis em outras redes sociais, também mantêm contas no Instagram, com 751 e 1 mil seguidores, respectivamente. Mas isso não significa popularidade. Mesmo com muitas pessoas inscritas nas páginas deles, os dois não têm mais de 70 curtidas nas postagens. “O esforço dos candidatos é para transformar as publicações em virais, para que elas circulem de forma solta pela internet. Mas a internet não é um meio de comunicação. É de interação social”, observa o professor de marketing político da Universidade de Brasília (UnB), Paulo José Cunha.

Para o especialista, se o investimento se tornar uma via de mão única, sem comunicação com o usuário da rede, perde a finalidade. “A importância das redes sociais para a candidatura cresceu muito, mas é necessário ter um tratamento específico. Apenas criar um blog, um site ou uma conta e emitir a mensagem, mas sem obter a resposta, é perda de tempo. Quem opta por isso vai cair no descrédito.”

Somos quase 2 milhõesO número oficial de quantos eleitores o Distrito Federal terá nas eleições marcadas para outubro será divulgado no próximo dia 28. Porém, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do DF (TRE), a quantidade deve chegar a 1.897.677 eleitores.

O que diz a lei
De acordo com a cartilha de regras e atuação do Ministério Público Federal (MPF), desde 6 de julho, os candidatos podem fazer propaganda eleitoral nos sites dos partidos e dos candidatos, desde que as iniciativas sejam comunicadas à Justiça Eleitoral e hospedadas em provedores estabelecidos no Brasil. Também fica permitida a propaganda eleitoral por meio de blogs, sites de relacionamentos — Facebook, Twitter etc — e sites de mensagens instantâneas. As propagandas por e-mail também são permitidas, desde que haja um mecanismo para que o destinatário solicite o descadastramento. Não se aplica na internet a proibição de veiculação de propaganda eleitoral nas 48 horas anteriores e 24 horas posteriores às eleições, desde que sejam gratuitas. Por outro lado, são proibidas as propagandas pagas e publicidades em sites de pessoas jurídicas e da administração pública.

Fonte: Correio Braziliense

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