Candidatos à Prefeitura do Rio trocam acusações em primeiro debate de TV

Candidatos à Prefeitura do Rio trocam acusações em primeiro debate de TV
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O primeiro debate de televisão entre candidatos à Prefeitura do Rio, promovido pela Band na noite desta quinta-feira (25), foi marcado por acusações que tiveram como alvo Pedro Paulo (PMDB) e Carlos Osório (PSDB), pela ausência de Marcelo Freixo, candidato do Psol, e pelo desmaio em transmissão ao vivo do deputado Flávio Bolsonaro, candidato do PSC ao cargo de prefeito da capital fluminense.

Durante o segundo bloco do debate, realizado no Teatro Oi Casagrande, na zona sul do Rio, Flávio Bolsonaro foi questionado por um internauta sobre a forma como integraria a capital às cidades da região metropolitana. Ao tentar responder, Bolsonaro sinalizou que estava tendo uma baixa na pressão arterial e precisou ser amparado por Osório e pela candidata do PcdoB, deputada federal Jandira Feghali.

Na volta do terceiro bloco, o candidato Flávio Bolsonaro já não estava presente no debate da Band
Na volta do terceiro bloco, o candidato Flávio Bolsonaro já não estava presente no debate da Band
Na volta do intervalo, o jornalista Sérgio Costa, que mediou o encontro, anunciou que Bolsonaro não voltaria ao programa, que foi transmitido ao vivo, por recomendações médicas. Jandira Feghali, que é médica, disse que ofereceu ajuda ao candidato, mas seu pai, o deputado Jair Bolsonaro (PSC), negou rispidamente o auxílio. Vaiada por simpatizantes de Bolsonaro que estavam na plateia, Jandira chamou o pai do candidato de “fascista” e lembrou que ele é réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por apologia ao estupro.

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Na primeira rodada de perguntas e respostas entre os pleiteantes ao cargo de prefeito do Rio, Jandira lamentou a ausência no debate do candidato do Psol, deputado Marcelo Freixo, já que a Lei Eleitoral aprovada pelo ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) condiciona a participação em debates eleitorais nas emissoras a candidatos de partidos que tenham mais de nove deputados na Câmara Federal.

Na tarde desta quinta-feira (25), o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), contestando a nova Lei Eleitoral, determinou que a decisão sobre quem poderá participar dos debates de televisão deixa de ser condicionada à aprovação de dois terços dos demais candidatos na disputa e fica a cargo da emissora que está promovendo os encontros durante a campanha eleitoral. Freixo, no entanto, não pode ser convidado, já que a regra estabelecida pelo Supremo ainda não havia sido publicada. O candidato do Psol fez um debate paralelo em praça pública, no mesmo horário, no Centro do Rio.

Na Band, Carlos Osório, ex-secretário de Transportes da capital na gestão de Eduardo Paes, foi atacado por quase todos os candidatos. Questionado por Jandira sobre a falta de transparência nas tarifas de transporte público, na mudança de itinerários de ônibus e na caixa preta das empresas de ônibus, Osório passou quase todo o tempo que tinha para responder fazendo acusações ao PT, à presidente Dilma Rousseff e citando casos da Lava Lato. No final do tempo de resposta, ele ainda responsabilizou seu sucessor no cargo: “Quem entrou no meu lugar simplesmente não fez nada”.

Outro alvo de acusações, o candidato do PMDB, Pedro Paulo, foi diversas vezes questionado sobre a gestão do prefeito Eduardo Paes, de quem ele é aliado. Alessandro Molon, candidato da Rede, fez acusações ao PMDB e lembrou que Pedro Paulo votou em Eduardo Cunha para a Presidência da Câmara. O candidato do PSD, Indio da Costa, disse que o PMDB na Prefeitura “fugiu do tema da segurança pública como o diabo foge da cruz”: “Cada pessoa esfaqueada no Rio de Janeiro é culpa de Eduardo Paes”, sentenciou.

Primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto, Marcelo Crivella, do PRB, foi o candidato que menos entrou nas polêmicas. Mas ele não deixou de fazer críticas aos gastos com os Jogos Olímpicos e ao discurso de integração entre os governos municipal, estadual e federal. “Não houve união de forças. Eduardo Paes ainda disse que o governador do estado tinha que ter vergonha na cara”, disse, acrescentando que na Olimpíada de Pequim, na China, os gastos foram divididos entre as instâncias de poder, mas que aqui a Prefeitura assumiu tudo e quebrou economicamente.

Crivella não poupou críticas ao legado olímpico. Para ele, não houve política habitacional no âmbito das reformas da cidade. “Apesar de todas as obras do Porto Maravilha para a Olimpíada, o que se fez na primeira favela do Brasil, o Morro da Providência, bem ali ao lado? Nada!”. O candidato se colocou contra as políticas de remoção de populações. “É mais fácil ajudar as famílias a terminarem suas casas do que removê-las”, argumentou. Alessandro Molon endossou as críticas: “O que interessava à Prefeitura, com o Porto Maravilha, era construir grandes empreendimentos comerciais. Esqueceram da população”, disse o candidato da Rede.

Pedro Paulo rebateu as acusações dos demais candidatos. O aliado de Eduardo Paes disse que ele a a prefeitura do Rio se orgulham muito de ter trabalhado em parceria com os governos estadual e federal e citou, como exemplo, a ajuda da capital fluminense, ao municipalizar dois hospitais estaduais. “Não só assumimos o custeio desses hospitais, como aumentamos os investimentos neles. Vamos continuar trabalhando para ajudar, como fizemos nos momentos mais difíceis de crise do Estado do Rio”, prometeu Pedro Paulo.

Candidatos divergiram sobre a gestão da Guarda Municipal. Pedro Paulo afirmou que tinha em seu poder dados comprovando que 50% dos roubos e furtos na cidade ocorrem em apenas 2% do território da capital e que, por isso, era necessária uma redistribuição do efetivo de agentes de segurança pública. Ainda antes de deixar o debate, Flávio Bolsonaro disse que era preciso fortalecer e armar os agentes. Já Crivella disse que era totalmente contrário à proposta: “Eu não vou armar a Guarda Municipal”, garantiu o candidato do PRB.

Apesar do tom beligerante nas pouco mais de duas horas de programa, os candidatos fizeram suas considerações finais estimando melhoras para Flávio Bolsonaro, que deixou o debate no segundo bloco, e alguns deles pediram a participação de Marcelo Freixo nos próximos encontros das demais emissoras ao longo da campanha eleitoral, que este ano terá duração de 45 dias, metade do período em eleições passadas.

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