Caldeira do HRT está sem manutenção e compromete a segurança de pacientes e funcionários


Caldeira do HRT está sem manutenção e compromete a segurança de pacientes e funcionários

Um laudo emitido em novembro passado à Secretaria de Saúde recomendava que a caldeira do HRT fosse desativada

Renan Bortoletto

Vazamento de óleo, fios encapados com fita adesiva e extintores de incêndio em condições precárias fazem parte de um cenário alarmante no Hospital Regional de Taguatinga (HRT). Tudo porque o local onde está instalada uma caldeira movida a óleo, usada para lavagem de roupas, esterilização e desinfecção de instrumentos cirúrgicos, está com os dias contados por falta de manutenção. Apesar de o Corpo de Bombeiros não se pronunciar sobre o assunto, a denúncia apurada pelo Jornal de Brasília não descarta o risco de explosão.

Tudo isso acontece praticamente embaixo do pronto-socorro do HRT, o que compromete a segurança de funcionários e pacientes da unidade. O problema, porém, não se restringe ao HRT. Outros hospitais do DF estariam na mesma situação. Casos recentes de vazamento de óleo das caldeiras no Lago Paranoá não foram o suficiente para que providências fossem tomadas, evitando possíveis acidentes.

Recomendação
Um laudo emitido em novembro passado à Secretaria de Saúde recomendava que a caldeira do HRT fosse desativada. O Jornal de Brasília. apurou que uma equipe do Corpo de Bombeiros esteve no local na última semana para fazer uma espécie de treinamento caso ocorra um incêndio.

“É lamentável a situação da caldeira. A primeira já foi desativada e esta segunda deveria ser também. Constantemente vemos uma nuvem de fumaça aqui e não há manutenção com profissionais capacitados. Pelo que sei, só um engenheiro mecânico poderia concluir como está o maquinário e fazer a manutenção adequada”, informa uma fonte do governo local, que preferiu não ter sua identidade revelada.
Mudança depende de licitação

“Vão esperar acontecer uma explosão para tomar providências?”, questiona o funcionário do governo local, que faz a denúncia sobre a situação do HRT. Pergunta difícil de ser respondida. A troca da caldeira só seria possível após abertura de processo licitatório pela Secretaria da Saúde. Enquanto isso não acontece, o maquinário não é interditado pelo fato de que é imprescindível para o funcionamento pleno da unidade de saúde, ou seja, a desativação da caldeira faria com que o HRT fechasse as portas.

O denunciante afirmou ainda que, apesar de o hospital ter um funcionário para cuidar da caldeira, não existe contrato de manutenção do maquinário.

Conhecimento técnico

“A pessoa que cuida da caldeira não faz este tipo de serviço. A manutenção requer conhecimento técnico, e por isso só pode ser feita por um engenheiro mecânico. Não tem nenhuma empresa ou profissional cuidando disso, o que gera ainda mais preocupação. É necessário fazer um teste hidrostático para verificar o aumento de pressão interna, o que não deve ser feito há muito tempo”, conclui a fonte.

Secretaria diz que vai fazer a troca

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou em nota que todas as caldeiras dos hospitais passam por manutenção e que os serviços são feitos por empresa contratada. A pasta não disse, no entanto, qual empresa é responsável pelo trabalho e com que frequência é feita a manutenção.
A SES-DF ressaltou ainda que em breve fará a substituição das caldeiras a óleo por caldeiras movidas a gás. Segundo a pasta, um processo licitatório já está em andamento, mas ainda não há prazos para a instalação.

Substituição

De acordo com a nota divulgada pelo órgão, a proposta é substituir as caldeiras do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib), Hospital Regional de Taguatinga (HRT), Hospital Regional de Ceilândia (HRC), Hospital Regional de Planaltina (HRPL), Hospital Regional de Samambaia (HRSam), Hospital Regional de Brazlândia (HRBZ) e o Hospital Regional do Gama (HRG). Atualmente, apenas a unidade de Santa Maria conta com uma caldeira movida a gás.

Lago Paranoá

O primeiro vazamento de óleo de uma caldeira do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), que foi até o Lago Paranoá, ocorreu em 2012. Na época, o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) concluiu que os vazamentos existentes na caldeira, junto ao manejo incorreto do óleo e a falha na boia de controle do reservatório, fizeram o líquido escoar pelo sistema pluvial e ser levado ao lago. O Ibram aplicou uma advertência e multa ao hospital pelo ocorrido, mas tudo indica que até hoje nenhum centavo foi pago. Uma empresa terceirizada era responsável, por contrato, a fazer uma manutenção preventiva no sistema de geração e distribuição de vapor e água da caldeira.

Em dois anos, três acidentes ambientais

Em outubro do ano passado, um novo acidente ambiental formou uma mancha de mais de três quilômetros de extensão no Lago Paranoá. Na época, um laudo confirmou a origem do vazamento: mais uma vez, o Hospital Regional da Asa Norte. A constatação foi feita por funcionários da Universidade de Brasília, da Companhia de Abastecimento e Esgoto de Brasília (Caesb) e do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibram).

No início deste ano, outro vazamento foi registrado em uma caldeira de um restaurante do Palácio do Planalto. O óleo também foi parar nas águas do Lago Paranoá, e o Ibram garantiu que emitiria multa de aproximadamente R$ 50 mil. Os donos do restaurante se propuseram a modernizar o equipamento.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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