Cada vez mais frequentes, assassinatos e roubos levam medo aos moradores

Em Taguatinga, casas viram fortalezas e, mesmo assim, não intimidam a ação de bandidos

Saulo Araújo
Mara Puljiz

Maria da Conceição gastou R$ 5 mil para deixar a residência, na QNL 13 de Taguatinga, mais segura. Mesmo assim, sofreu uma tentativa de assalto

Assustados com a crescente violência, moradores do Plano Piloto mudam hábitos e adotam estratégias de prevenção à criminalidade. Mas se a falta de policiamento amedronta quem mora em Brasília, apavora ainda mais aqueles que vivem nas cidades mais afastadas do centro. Com a Operação Tartaruga da Polícia Militar iniciada, as equipes de patrulhamentos se tornaram escassas nas ruas de Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e outras regiões administrativas.

Na QNL 13 de Taguatinga, os constantes assaltos mudaram a paisagem da quadra. Cansados de esperar uma ação do Estado, os moradores transformam as casas em fortalezas. A pensionista Maria da Conceição Holanda, 62 anos, teve a residência invadida duas vezes por bandidos. No ano passado, ela investiu na segurança do imóvel. De uma só vez, ela mandou instalar 60m de cerca elétrica, lanças perfurantes, alarme e arame semelhante ao usado por exércitos em zonas de conflito e por presídios a fim de evitar a fuga de detentos. Estima um gasto de cerca R$ 5 mil.

Mesmo com todo esse aparato, ladrões não se intimidaram e tentaram, no início do ano, entrar na casa dela novamente. “Eles cortaram a cerca elétrica, mas se assustaram com o alarme e correram. Ou seja, nem tudo isso garante a tranquilidade da minha família”, lamentou. Sem esperanças de que a sensação de tranquilidade retorne à quadra, o aposentado José Vieira Diniz, 63 anos, morador do Conjunto G da QNL, preferiu vender a casa. “Já tirei até a placa porque o negócio está fechado. É algo que realmente vai minando a gente, deixando desiludido”, lamentou.


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