Caçadores de Obras-Primas mostra a arte acima da guerra


Caçadores de Obras-Primas mostra a arte acima da guerra

Longa estreia hoje nos cinemas brasileiros com uma história pura retratada nos tempos do nazismo

Inácio Araujo

Especial para o Jornal de Brasília

Ah, a arte… É o território em que todos nos reconhecemos. Nada a ver com a política e suas sujeiras, nem com os negócios e sua ganância. A arte é pura. Eis aquilo de que os experts de Caçadores de Obras-Primas pretendem nos convencer: a arte está acima da guerra.

Quem poderia mexer nesse território sagrado? (Adolf) Hitler, é claro. Não que outros não o tenham feito antes.

Nem por isso a empreitada dos sábios liderados por Frank Stokes (George Clooney) pode ser considerada indecente. O que o filme camufla é que se trata, sim, de uma operação de guerra. E não por acaso os oito especialistas se alistam no exército e vão para a Europa.

“filmão”

No grupo de caçadores há de tudo: os mais velhos e os mais moços, os bonitões e os nem tanto, os engraçados e os sérios. Não é preciso ir longe para notar que Clooney entra no território do “filmão”: ele é quem dirige essa produção divertida, impessoal e com um fundo, digamos, sério.

E esse fundo, à parte as tiradas filosóficas, é um mcguffin como qualquer outro, para usar a expressão de (Alfred) Hitchcock. Se em vez de obras de arte valiosas buscassem segredos científicos roubados por nazistas, nada mudaria profundamente.

Situações e atuações

Caçadores depende muito de certas situações (e atuações). Para vencer a inércia do filme de aventura de guerra, depende de algumas sequências felizes.

A vencedora são as convenções do filme de guerra, como o velho heroísmo e a separação entre os bons e os maus. É um filme que se deixa ver. Mas é menos do que se esperaria daquilo que Clooney, aqui ator e corroteirista, esboçou até hoje.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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