Brasília, capital do carro


Patrícia Fernandes

Os problemas de mobilidade urbana são notórios no Distrito Federal e as previsões para os próximos 25 anos são alarmantes. Estudo conduzido pelo Sindicato de Arquitetura e Engenharia (Sinaenco) aponta que a frota de veículos deve duplicar no período, alcançando 3,2 milhões de carros. Especialistas temem um colapso no trânsito.

O consultor do Sinaenco e um dos responsáveis pela pesquisa, Jorge Hori, acredita que os problemas que envolvem a mobilidade são fruto da forma como a cidade foi concebida. “Em Brasília, o quadro é complicado. Nas outras cidades, é possível reduzir os deslocamentos de forma que as pessoas morem perto do trabalho. Aqui é difícil porque as cidades são muito longe do centro”, diz.

Estacionamentos

Outro problema da população é a falta de espaço para estacionar. “É uma questão difícil de ser resolvida. Brasília vai continuar crescendo e não vejo luz no fim do túnel”, diz.

É o caso do segurança Fabiano Trajano, 27 anos. Após mais de uma hora procurando vaga quando foi levar o pai ao médico, ele desistiu e esperou no carro. “Estou aqui há duas horas. Cheguei cedo para achar vaga e não consegui”, falou.

Até 2040, segundo o estudo, a média será de um carro para cada dois habitantes. Segundo a pesquisa, a mobilidade urbana é o maior problema de infraestrutura da cidade para 80% dos entrevistados.

É o que pensa a consultora de vendas Ana Lúcia Bonfim, 48 anos. “O trânsito está estressante”, explica. Segundo ela, além dos congestionamentos, há a dificuldade para estacionar e a obrigação de pagar por uma vaga. “Pago até R$ 6 por alguns minutos”, lamenta.

Estresse e outras doenças

Segundo o especialista em comportamento no trânsito, Fábio de Cristo, o aumento da frota de veículos é consequência de aspectos econômicos e sociais. “Um exemplo é a redução do IPI. Como reflexo, há o aumento da compra e uso do automóvel”, assegura. O crescimento acelerado da frota contribui no aumento da poluição atmosférica e do barulho, estresse, doenças cardiovasculares e pulmonares, e apropriação do espaço destinado aos estacionamentos.

Ônibus não seduzem os motoristas

Segundo a Secretaria de Transportes, o Sistema de Transporte Público Coletivo está apoiado no tripé frotas, vias e gestão. De acordo com o órgão, foi feita licitação para substituição de 100% da frota de ônibus que operavam sem contrato no DF. São 2.600 ônibus novos, com acessibilidade universal. No quesito de gestão, há o monitoramento da frota por GPS, permitindo corrigir trajetórias, punir queima de parada e oferecer informações em tempo real sobre linhas e horários.

Uma maior preocupação com o sistema de transporte público é necessária, segundo o especialista em comportamento no trânsito pela Universidade de Brasília (UnB) Fábio de Cristo. “É fundamental pensar na ampliação das linhas de ônibus, criar infraestrutura para isso se tornar realidade e ampliar as linhas de metrô e ciclovias”, afirma.

É preciso enfrentar com rigor o uso em massa do automóvel com medidas que visam a reduzir as viagens por transporte individual.

Ônibus

Contudo, fazer com que o usuário do carro seja atraído pelo coletivo requer tempo. A auxiliar de serviços gerais Maria Eliomar, 48 anos, reclama do transporte público. “Moro em Ceilândia e venho todos os dias para o Plano Piloto. Além do péssimo estado dos ônibus, fico mais de uma hora no engarrafamento”, diz. Mesma opinião tem a auxiliar de limpeza Maria da Guia Silva, 35. “Espero uma hora para pegar o ônibus. E enfrento congestionamento gigante para chegar no trabalho.”

Saiba Mais

Nos próximos anos, haverá um carro para cada dois habitantes.

O aumento da frota é refletido no número de acidentes. Até julho deste ano, foram 194 casos com morte no DF.

De janeiro de 2000 a julho deste ano, 5.393 acidentes provocaram mortes. Nos últimos 13 anos, 5.988 pessoas morreram em acidentes no DF. Desse total, 81,3% das vítimas são do sexo masculino.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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