Biblioteca ambulante vai como passageira


Biblioteca ambulante vai como passageira

Dois anos depois de reportagem do Jornal de Brasília, idealizador de projeto ainda anseia por parcerias

Depois de 11 anos à frente do projeto Cultura no Ônibus, o cobrador Antônio Ferreira, 42 anos, ainda continua procurando parceiros para tentar expandir a ideia. Apenas a linha que ele faz, entre Sobradinho II e Plano Piloto, aderiu à iniciativa. Enquanto isso, o número de livros vai aumentando dentro de uma sala, que alugou exclusivamente para guardá-los. Já são 8 mil volumes, a maioria ainda escondida dentro de caixas de papelão, longe das mãos dos passageiros.

“Quero muito que a ideia vá para frente. Mas, infelizmente, não consigo parceiros para me ajudar. E é necessário. Hoje, por exemplo, ganho R$ 800. Desses, R$ 300 vão só para eu pagar o aluguel do quarto onde ficam os livros. Não é fácil”, lamenta.

De acordo com ele, o incentivo é essencial para que o sonho ganhe forma. “Preciso muito de ajuda para expandir e transformar o transporte público de Brasília em uma grande biblioteca ambulante”, desabafa.

A ideia

A ideia do cobrador surgiu assim que conseguiu o emprego numa empresa de transporte público. “Na minha infância, não tive a oportunidade de entender a importância da leitura. Só depois de adulto, quando li Capitães de Areia, meu primeiro livro, é que eu fui vendo como a leitura abre caminhos, expande nossa mente. E todo mundo precisa ter acesso a isso”, disse.

O cobrador ressalta o poder da leitura no desenvolvimento cultural. “Uma pessoa que lê tem acesso a várias culturas, várias formas de pensar. Por isso, comecei a captar doações de livros e distribuí-los dentro do ônibus mesmo”, diz.

Enquanto o projeto não recebe investimentos de fora, Antônio carrega os livros dentro de uma mochila até chegar dentro do ônibus e colocá-los em uma “prateleira” de plástico. Por dia, ele chega a levar 15 volumes diferentes para os passageiros. “Aí eu chego por volta das 5h30 no terminal e já vou arrumando os livros para que as pessoas já possam ir escolhendo. E não tem só obra. Eu também separo revistas interessantes para adultos e crianças”, detalha.

De acordo com o cobrador, entre os volumes mais procurados estão as crônicas, romances, ficção e autoajuda.

Aos poucos, o hábito vai virando rotina

O interesse dos passageiros costuma variar. “Têm uns passageiros que chegam e só olham a prateleira. Outros, já chegam tirando o livro e começando a ler”, relata.

Para ele, o mais curioso é perceber que até quem não tem, ou não tinha, interesse pela leitura, se entrega à tentação de uma breve lida durante o percurso. “As pessoas ficam sem ter o que fazer no engarrafamento. Aí, a leitura torna o tempo delas mais útil”, avalia.

Os passageiros concordam com a opinião do cobrador. “Do Plano Piloto para cá e vice-versa, direto a gente pega congestionamento. É muito bom ter um livrinho para ler, passar o tempo. Acho que a ideia dele é ótima para toda a população”, elogia Renato Rodrigues, 34 anos. De acordo com ele, existem pessoas que têm vontade de ler, mas não tem dinheiro para comprar um livro bom. “E ele tem vários livros muito bons, clássicos mesmo”, diz.

Hábito
E mesmo para quem não tem o hábito da leitura, a prateleira repleta de livros é uma tentação. “Olha, pra quem gosta de ler, a ideia é perfeita. E para quem não tá acostumado, como eu, é uma grata oportunidade”, disse Aurilia Barbosa, 38 anos.

“De vez em quando pego uma revista, um livro fininho e vou me informando no caminho. É uma forma de passar o tempo aprendendo coisas novas”, conclui,
Memória

Em 2012, o Jornal de Brasília publicou reportagem sobre a iniciativa do cobrador.

Na época, ele já buscava financiamento para fazer com que a ação ganhasse forma.

Serviço

Antônio mantém um blog, no endereço www.culturanoonibus. blogspot.com, onde é possível encontrar os contatos e conhecer melhor a proposta do Cultura no Ônibus. Quem tiver interesse em fazer doações de livros pode entrar em contato com o cobrador pelo telefone (61) 9195-5023.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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