Ben Stiller estrela o longa “A Vida Secreta de Walter Mitty”


Ator interpreta seu mais imaginativo personagem (Foto: Divulgação)

O ator americano Ben Stiller é o protagonista, produtor e diretor do longa A Vida Secreta de Walter Mitty, que está em cartaz nos cinemas. A produção – definida pelo próprio Stiller como um filme de comédia, aventura, drama e fantasia – é baseada em um famoso conto escrito pelo cartunista americano James Thurber (1894-1961) na revista The New Yorker, em 1939. A história fala de um homem que mais vivia de sonhos do que curtia a própria realidade.

Na adaptação do ator, Walter Mitty (Ben Stiller) também vive no mundo da lua. Durante suas viagens mentais, o público verá Stiller se arremessando de grandes alturas e correndo de explosões. Isso até que a sua colega de trabalho Cheryl (Kristen Wiig), por quem ele é apaixonado, o encoraja a resolver um problema que o leva a viver verdadeiras aventuras. A mesma trama já foi filme em O Homem de Oito Vidas, de 1947.

Do que se trata a história do personagem Walter Mitty?

Walter é responsável pelo departamento de negativos da Revista Life. Ele cuida das fotos que os fotógrafos mandam para a revista. Ele é meticuloso, se importa com seu trabalho. Sean O’Connell (Sean Penn), o fotógrafo mais famoso da revista, confia a ele um negativo importante. Walter descobre que a revista vai sair de circulação e precisa achar esse negativo. É importante porque Sean acha que essa deveria ser a capa da última edição da Life. Ao mesmo tempo, ele gosta muito de uma garota do trabalho, Cheryl (Kristen Wiig), mas não tem ideia de como falar com ela. A partir daí, a sua jornada começa.

Que tipo de homem é seu Walter Mitty?

Ele está levando uma vida ok. Ele só não está vivendo a vida que sempre imaginou. Mas ele aceitou isso sobre si mesmo há um tempo. Mas quando ele conhece Cheryl, ela abre algo nele que está tentando conectar. Ele também está enfrentando a possível perda de seu emprego. Todos esses elementos conspiram para que ele dê um passo drástico, se arrisque. Ao mesmo tempo, ele está tentando cuidar de sua mãe desde que seu pai morreu, quando ele ainda era adolescente. Ele tinha muitas ideias sobre o que queria fazer e acabou nunca fazendo, e termina embarcando em uma jornada que ele deveria ter encarado há muitos anos.

Por que você escolheu a Kristen Wiig para viver a Cheryl?

Kristen é uma comediante brilhante. Eu percebi isso quando a vi pela primeira vez no Saturday Night Life. Ela é realmente brilhante. Eu pensei que ela deveria ser a garota com quem Walter quer se relacionar porque o público poderia investir nela. Todos gostam dela e ela é uma boa pessoa, mas também tem muitas camadas dentro dela. Ela é tão naturalmente engraçada e eu queria vê-la fazendo algo diferente. Eu achei que o público podia torcer por ela e Walter para que eles ficassem juntos. E também, ela é uma atriz muito sutil. Eu gostei muito de trabalhar com ela, porque Wiig tem a habilidade de ir tão longe quanto você quer que ela vá, apesar de gostar de manter um limite.

O filme é completamente diferente da versão de 1947, com Danny Kaye, não é?

Eu achei que seria muito difícil fazer o remake do filme do Danny Kaye porque ele já tinha feito tão bem. Era uma comédia musical de uma época em que eles faziam esse filme da melhor forma que ele poderia ser feito, melhor do que já foi feito até hoje. Steve Conrad (roteirista) tinha uma visão diferente, que eu achei que era mais adequada para mim. E, com sorte, para um público mais moderno. O filme não é só sobre um cara que sonha acordado. É sobre um cara que está tentando se conectar consigo mesmo. Eu gostei da ideia do cara saindo do casulo e realmente tentando mudar algo.

De que maneiras você gostaria de ser diferente?
Eu gostaria de ser mais solto e ontem mesmo a minha mulher me falou isso, “você deveria se soltar um pouco, aproveitar mais as coisas”. Eu não sei se isso está no meu DNA, mas é um desafio para mim.

Um dos temas do filme é sobre viver o presente, apreciar cada momento. Você se relaciona com isso?

Claro, e esse é um dos grandes desafios da vida. Primeiro de tudo, é desafiador se dar conta disso. Eu acho que a maioria de nós passa pela vida sem nem ter noção de que nós não estamos no momento. O Budismo é muito sobre isso. Eu acho que uma das razões porque as pessoas amam ouvir músicas e ir a shows é ter a experiência, porque a música coloca você no presente. Se você vai a um show, você sente algo, você está lá, e você aproveita.

Você acha que isso se aplica aos filmes?

Com certeza, apesar que assistir a um filme é uma experiência estranha, porque você meio que se projeta em algo que está acontecendo na tela. É um processo interessante, porque assistir a história de outra pessoa nos permite perceber a nossa. Essa é minha própria experiência. Eu me vejo emotivo ou conectado com algo na tela e é na verdade algo dentro de mim que está permitindo que eu sinta através da história de alguém. Eu acho que é por isso que as pessoas amam ir ao cinema.

Você sentiu que estava se arriscando ao fazer esse filme?

Eu estava assustado porque o tom do filme era diferente de qualquer outro que eu já tinha feito. Mas eu queria arriscar porque eu me conectei com a mensagem do roteiro. Eu acho que talvez eu tenha me relacionado a história de Walter nesse momento da minha vida, porque eu estou chegando na idade em que estou mais ciente das coisas. Conforme você envelhece, mais você começa a pensar em como a vida é curta e que você deve aproveitar cada momento.

Você pode falar sobre a trilha sonora fantástica do filme?

As músicas são pontos de referência para mim, desde “Don’t You Want Me” (Human League), dos meus anos no ensino médio, até “Space Oddity”, a música do David Bowie, que a Kristen canta, e que foi gravada em Nova York, no lendário Electric Lady Studios. Foi muito empolgante ouví-la no estúdio. Ela já é uma boa cantora. Para mim, todas as músicas têm tanta emoção e uma relação Pessoal. Eu também adorei o que o José González trouxe ao filme, porque ele é um cantor de alma, e sua voz é tão humana e linda. Eu queria que ele estivesse presente durante toda a trilha, representando Walter, quase como um narrador.

Você filmou em algumas locações espetaculares. Como foi graver na Islândia?

A Islândia é incrível. É uma paisagem bem dramática e é um lugar de extremos. Da aurora boreal, ao sol da meia-noite, às geleiras, às montanhas, às praias de areia escura, é como se fosse um outro mundo.

O que A Vida Secreta de Walter Mitty representa para você?

Tem sido uma experiência inacreditável, porque houve uma camaradagem entre todas as pessoas envolvidas no filme. Eu acho que no fim do dia, tudo que você leva quando faz um filme, é a experiência. Eu estou muito orgulhoso de ter tido isso e eu espero que o filme estabeleça uma relação com o público, de alguma forma. Isso é tudo que podemos pedir!

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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