Bate-boca e agressão depois de protesto de rodoviários


Bate-boca e agressão depois de protesto de rodoviários

Briga ocorreu entre sindicalistas e rodoviários, que protestavam contra demissão de funcionários

Acabou em briga a manifestação dos funcionários da viação Piracicabana na Rodoviária do Plano Piloto. Em protesto contra a demissão de 11 trabalhadores, os ônibus da empresa não circularam e todas as saídas do terminal foram fechadas. Eles reivindicavam a readmissão imediata dos colegas.

De acordo com os manifestantes, todos os funcionários que participaram de uma outra manifestação no terminal do Cruzeiro, na última terça-feira, foram proibidos de voltar ao trabalho. Para acabar com o protesto, eles pediam a presença de representantes da empresa e do Sindicato dos Rodoviários. 

A manifestação atrapalhou a circulação dos ônibus e até o embarque e desembarque de passageiros. O grupo fechou duas faixas do Eixo Monumental no sentido Esplanada dos Ministérios. Mais uma vez, sobrou para a população. “Não sai nenhum ônibus desde as 6h50. Sem ônibus e sem metrô fica complicado”, comentou a faxineira Maria José, 35 anos.

Após o protesto, uma comissão de seis funcionários da Piracicabana foi convidada para uma reunião na Secretaria de Governo, no Palácio do Buriti. Na saída da sede do GDF, os manifestantes se encontraram com sindicalistas, também convocados para outra reunião. Foi nesse momento que o presidente do sindicato, João Osório, e o motorista da Piracicabana, Rodrigo Alves, 28, passaram a se agredir verbalmente e, depois, fisicamente.

Segundo testemunhas, João Osório teria empurrado o motorista, que caiu. Em seguida, ele e outros quatro ou cinco homens, também do sindicato, passaram a chutá-lo. A briga só acabou com a intervenção de seguranças do palácio.

Grupo pode voltar a manifestar

O motorista agredido teve escoriações e reclamava de muita dor na coluna. Uma ambulância do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) foi chamada e o homem foi levado para o Hospital de Base.

A equipe do JBr. tentou contato telefônico com o rodoviário, mas um acompanhante atendeu e disse que ele estava muito debilitado, sem condições de falar no momento. Ele passou por exames e aguardava o atendimento.

De acordo com um dos manifestantes, “o sindicato passou para o governo que ninguém foi demitido. A empresa disse que estamos afastados. Nós decidimos não fazer outra manifestação hoje (ontem), porque o nosso companheiro está hospitalizado. A gente vai segurar um pouco o movimento. A partir do momento que ele sair do hospital, vamos começar. Provavelmente na terça-feira teremos uma resposta definitiva”.

Versão oficial

O diretor do DFTrans, Lúcio Lima, garantiu que o impasse envolvendo a sala, que foi tema do primeiro protesto, será solucionado na semana que vem. Em relação ao movimento de ontem, ele afirmou que tem “plena certeza de que são ações isoladas de pessoas ligadas a movimentos políticos”. O gerente da Piracicabana, Elenilson Xavier, disse que a sua função era fazer com que os ônibus voltassem a circular e que a empresa apenas afastou funcionários para averiguar o caso.

Ninguém se coloca à frente do caso

Após a confusão, o presidente do sindicato, João Osório, seguiu normalmente para a reunião, que contou ainda com a presença de representantes do DFTrans. O sindicato preferiu não comentar o teor da reunião, argumentando que não quer ser relacionado ao protesto.

O GDF, por sua vez, diz que os problemas entre a Piracicabana e os funcionários não são de sua responsabilidade. Em nota, a Secretaria de Governo informou que repassou as demandas dos manifestantes ao sindicato da categoria.

A Piracicabana possui cerca de 300 funcionários e 60 ônibus com linhas no Sudoeste, Cruzeiro e SIG para a Rodoviária. No protesto ocorrido no começo da semana, no terminal do Cruzeiro, os funcionários pediam a restituição de uma sala para refeições e descanso que teria sido cedida à TCB e trocada por uma bem menor.

Segundo os manifestantes, apesar de não haver líderes entre eles, todas as pessoas que deram depoimentos à imprensa naquele dia foram colocadas em tal posição e prejudicadas por isso. “Quando cheguei para trabalhar, um fiscal me impediu de entrar. Não nos deram satisfação. Havia apenas uma lista com os nomes das pessoas que estavam demitidas”, afirmou a cobradora Ana Maria dos Santos, 43.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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