Banco Estrutural sem caixa

 
Banco Estrutural sem caixa

Antonio Temóteo

Além da escassez de recursos, a entidade criada há um mês enfrenta dificuldades para fazer divulgação e fortalecer a moeda local, a conquista. Até agora, foram concedidos 18 empréstimos.

Após um mês da abertura do Banco Estrutural, moradores e empreendedores da região administrativa começam a incluir nos hábitos de consumo o uso da moeda social conquista e a usufruírem das baixas taxas de juros oferecidas pela instituição para empréstimos.

Embora seja grande a procura por informações e crédito, a entidade financeira enfrenta dificuldades para captar recursos e disseminar amaneira correta de a comunidade ter acesso aos empréstimos.

Atualmente, somente a divulgação boca a boca é feita. De acordo com as gentes de desenvolvimento do banco Erica Afi Hamenoo e Solange Almeida, o número de estabelecimentos comerciais cadastrados para receber a moeda social subiu de quatro para 19 e 249,50 conquistas estão em circulação, ou R$ 249,50. Além disso, dos R$ 3,2 mil captados inicialmente por meio de doações e atividades desenvolvidas pelos gestores do banco, R$ 2.689 foram usados para concessão de 18 empréstimos.

Como pagamento das primeiras parcelas e outros aportes voluntários, há R$ 1.750 em caixa. “Estão em análise 15 pedidos de crédito habitacional e outros 32 para o parcelamento produtivo. Como há escassez de recursos, não podemos emprestar para todos. Temos até o fim do ano para fazer o banco caminhar com as próprias pernas. Também temos problemas para divulgar a instituição. Sabemos das dificuldades, mas não vamos desanimar. Queremos melhorar a vida da comunidade”, diz Solange.

Três modalidades de concessão de crédito são oferecidas à população: para consumo, para habitação e para produção. Cada uma delas tem regras específicas para liberação dos recursos. A inclusão do nome em cadastros negativos, como o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), não restringe os financiamentos, que podem ser pagos em até 24 parcelas.

O Banco Comunitário da Estrutural cobra juros de, no máximo, 1% ao mês. No mercado, essas taxas vão de 2,5% a 5%. No caso do cheque especial, elas chegam 12%. Os empréstimos pelo banco social são feitos com base em pesquisas de referências pessoais. De acordo com a política da institui, por exemplo, é preciso ser morador da região administrativa por, no mínimo, dois anos, preencher um questionário e apresentar referências pessoais. Os valores são repassados apenas na moeda local.

O economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) Newton Marques avalia que as dificuldades para captar recursos e divulgar a instituição são comuns no início porque o banco não possui a estrutura, o corpo técnico e acesso ao mercado financeiro como as outras empresas do setor. Apesar dessas limitações, Marques incentiva os idealizadores da entidade a não desanimarem e lembra que outras iniciativas semelhantes são um sucesso no país. “As pessoas são desconfiadas, mas o Banco Palmas, em Fortaleza, funciona a todo vapor. Isso é uma ação que vai criar emprego e renda para população da região administrativa”, completa.

Esperança

Morador da Estrutural há 12 anos, o empresário João Neto de Oliveira é dono de um mercado e recebeu pelo menos 200 conquistas de pessoas que compraram produtos no estabelecimento.  Conhecido popularmente na Estrutural como Seu Lobo, ele está confiante no sucesso do banco e da moeda social, apesar das dificuldades para divulgar o trabalho feito pela instituição financeira. “Meus clientes sabem do banco porque participo desde o início do projeto de criação da entidade. Quando a comunidade perceber os benefícios que terá ao usar o dinheiro social e tiver acesso ao crédito vai formar fila na porta de entrada”, prevê.

Outros empresários também Esperam colher frutos com a chegada do banco. O chaveiro Juscelino da Conceição, 33 anos, aderiu ao uso da conquista há 20 dias, mas fez poucas vendas com a moeda social como forma de pagamento. Há 12 anos na Estrutural, Conceição cobra 4 conquistas para fazer uma cópia de chave, enquanto o valor tradicional é de R$ 5. “Minha loja é perto do banco, mas, mesmo assim, ainda tenho dificuldades para vender com a moeda social. Apesar disso, quando a divulgação for maior, sei que as coisas vão melhorar porque a comunidade ganha e eu também. Estou bastante esperançoso.”

Atenção
A reportagem ao lado faz parte do clipping da Secretaria de Comunicação. Não é de autoria da UnB Agência, sendo de responsabilidade exclusiva do veículo em questão.

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