Bahia: apoiado por 18 partidos, oposição confirma Souto, Joaci e Geddel



Priscila Chammas e Alexandre Galvão, Correio da Bahia

Com uma coligação de 18 partidos e o apoio total do Democratas nacional, a chapa de oposição ao PT da Bahia oficializou Paulo Souto (DEM) como candidato ao governo, Joaci Góes (PSDB) a vice e Geddel Vieira Lima (PMDB) ao Senado, e mostrou qual será o tom da campanha eleitoral. A convenção conjunta dos três partidos, realizada no Espaço Unique, foi marcada por críticas às gestões petistas no estado e no plano federal.

Ao lado dos principais nomes da oposição no estado e de líderes da cúpula do DEM, Souto criticou o que chamou de “repartição do governo”, em referência à distribuição política de cargos e à aplicação de recursos, segundo ele, em “programas duvidosos”. “Enquanto isso, salas de cirurgia são fechadas. A Bahia retrocedeu no índice de analfabetismo, segundo o IBGE”, disparou o democrata.

Candidato ao Senado, Geddel manteve o mesmo tom e lamentou o apoio dado por ele à campanha de Wagner em 2006. “Minha culpa. Se arrependimento matasse, eu não estaria aqui agora. (Paulo Souto) Você não perdeu aquela eleição por falta de gestão. Perdeu por política. Quem ganhou aquela eleição não foi Wagner, foi Lula”, disse, em alusão à força eleitoral do ex-presidente.

Já o prefeito ACM Neto (DEM), principal cabo eleitoral da oposição, queixou-se do “discurso da chantagem e do medo” que, de acordo com ele, o PT teria usado na eleição municipal de 2012 e que estaria tentando repetir na sucessão estadual. “Enfrentei pessoas poderosas. Aqui estiveram autoridades de todo o país, tentando convencer que Salvador só iria para frente se tivesse um candidato do mesmo partido do governo estadual e do governo federal”, lembrou.

O tucano Joaci Góes preferiu centrar seu discurso nas críticas à política educacional adotada pela gestão de Wagner e em promessas de mudanças. “Eu firmo o compromisso de que todos os alunos da rede estadual de ensino terão educação no mesmo nível que o menino mais rico do estado”.

Trunfos


Durante a convenção, os oposicionistas deram destaques a dois trunfos que terão para tentar derrotar o PT. O primeiro é tamanho da chapa, com 18 partidos: DEM, PSDB, PMDB, Pros, PTN, Solidariedade, PRB, PV, PRP, PPS, PT do B, PSDC, PTC, PHS, PEN, PMN, PPL e PSC, que confirma hoje o apoio. Trata-se da maior coligação já formada por opositores na Bahia. Isso já garante um tempo de TV próximo ao que tem até agora o petista Rui Costa.

“Há dois anos, ganhei com apenas quatro partidos. Agora estamos muito mais fortes”, comemorou Neto. Para ele, o apoio dos partidos vai garantir muito mais que alguns minutos na propaganda gratuita. “Vamos ter uma grande quantidade de candidatos, tanto a deputado estadual quanto a deputado federal, e isso acaba viabilizando a campanha em toda a Bahia, porque esses candidatos estão espalhados geograficamente pelo estado. Então, eu diria que até mais do que o tempo de televisão, o que realmente soma é a militância desses partidos, é a estrutura que eles têm no interior e os candidatos a deputado”, analisou o prefeito.

O segundo trunfo é o peso da eleição na Bahia para o Democratas nacional. “Em outubro, nós vamos disputar eleição em todo Brasil, para diversos cargos. Mas a eleição mais importante, a que a gente vai mais se empenhar, e a que é questão de honra ganhar, é a de Paulo Souto”, declarou o presidente nacional do partido, o senador José Agripino Maia. Candidato à presidência pelo PSDB, o senador Aécio Neves não pôde ir ao evento porque estava cumprindo agenda em Recife, mas gravou uma mensagem que foi exibida no telão. “Esta é a mais consistente aliança política das oposições nas eleições”, disse.

Se em Salvador a oposição espera contar com a popularidade de ACM Neto nas últimas pesquisas, aposta-se alto também na ajuda do prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM), presente ao evento. Além dos votos no segundo maior colégio eleitoral do estado, Paulo Souto também destaca a forte influência de José Ronaldo na região de Feira. “Não estamos sendo apenas recebidos, estamos sendo acolhidos. A população já percebeu que tem o direito de escolher o que acha melhor para a Bahia”, disse Souto.

Coligações para deputados seguem indefinidas
Ao mesmo tempo que o bloco da oposição encontrou consenso total para a disputa pelo governo e Senado, líderes do DEM, PSDB e PMDB ainda não afinaram os ponteiros em torno das coligações proporcionais, voltadas a eleições de deputados federais e estaduais. A menos de 15 dias do prazo limite para que os partidos homologuem suas chapas em convenções, os três partidos ainda não fecharam o desenho final das chapas.

No momento, o DEM trabalha intensamente para fechar acordos com os outros dois maiores partidos da aliança. O presidente estadual da legenda, José Carlos Aleluia, admite que o desejo dos democratas é formar um “chapão” para os candidatos à Câmara dos Deputados. Já o plano do DEM para os candidatos à Assembleia é dividir os partidos em duas coligações. “É o melhor para todo mundo. Assim vamos construir boas bancadas”, argumentou. Aleluia afirma que não há imposição de prazos. “Precisamos esperar as convenções das outras legendas”, disse.

O deputado federal Antônio Imbassahy (PSDB) garante que os tucanos ainda mantêm dúvidas sobre a montagem das coligações proporcionais. No momento, se dividem entre o chapão e a união em um grupo menor de partidos, encabeçado pelo PSDB. “Temos que analisar as circunstâncias de cada partido”, ponderou. A sigla quer lançar cerca de 20 nomes para concorrer a uma cadeira na Assembleia.

Já para a Câmara, o PSDB pretende colocar 12 nomes na disputa. O tom de indecisão também domina os peemedebistas. De acordo com o deputado estadual Bruno Reis (PMDB), os líderes do partido também se dividem em três cenários: integrar um grupo maior com todas as legendas do arco de alianças, se unir a uma ou outra dessas legendas ou ainda montar uma chapa com partidos menores, como PV e PPS, para os candidatos a federal e estadual.

Oposicionistas se aproximam dos adversários no tempo de TV
Com coligação maior, a chapa oposicionista ganhou mais tempo de TV e acabou colando no petista Rui Costa. Agora, apenas 28 segundos os separam, segundo o cálculo feito pela advogada Lílian Reis, do escritório Ismerin Advogados, especializado em direito eleitoral. Os números ainda podem mudar, caso o PR não confirme apoio ao PT. Há ainda outro fator que diminuiu o tempo para todos os candidatos: a entrada do PSTU na disputa.

O partido lançou a bancária Renata Mallet e ganhou direito ao rateio de um terço dos 20 minutos, que é distribuído entre os postulantes. O restante é divido de acordo com o tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados.

Democratas e petistas brigam por apoio do PR
Na reta final para as alianças partidárias, o PR se tornou a maior incógnita das eleições e é alvo de uma disputa intensa entre PT e DEM na Bahia. Com uma bancada de 32 deputados federais, o partido chegará rachado na convenção nacional, marcada para depois de manhã. Na ocasião, será conhecido o resultado da briga travada entre duas alas sobre o poder de ditar os rumos do partido nas eleições.

Caso o grupo que apoia a manutenção da aliança nacional com o PT saia vitorioso, o PR da Bahia vai confirmar a adesão à candidatura de Rui Costa (PT). Em caso de derrota para a ala que defende a ruptura, a Executiva Nacional do PR pode retirar dos líderes da legenda na Bahia o poder para firmar alianças locais.

O que esvaziaria o grupo liderado pelo ministro dos Transportes, César Borges, e pelo deputado federal José Rocha, que dominam os votos na cúpula do partido no estado.


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