ATERRO NÃO É LIXÃO

Foto: Jacqueline Saraiva/CB/D.A Press


  Para o diretor do SLU, Gastão Ramos, as dúvidas levantadas por toda a população em relação ao aterro sanitário são causadas pela falta de informação, problema que deve ser solucionado assim que o sistema for implantado e um trabalho de educação ambiental iniciado não apenas em Samambaia, mas em todo o DF. “O aterro não tem nada a ver com lixão, mas quando se fala em aterro, a primeira fotografia que se vê é a do lixão. É comum as pessoas pensarem assim, mas não é verdade. Vamos trabalhar com um aterro totalmente monitorado, as camadas de lixo vão ser cobertas e não vai ter cheiro ruim ou vetores. Podemos falar que o cheiro ruim, que existe hoje, é da estação de tratamento de esgoto, que já existe lá desde a década de 1960”, explicou.

A primeira vala do aterro, de três metros de profundidade, tem capacidade para as 2,7 mil toneladas de lixo produzidas todos os dias pela população do DF. O processo de separação, que será fundamental, vai começar na casa das pessoas, com a coleta seletiva. O lixo reciclável, tanto da coleta seletiva, quanto da convencional, será encaminhado para centros de triagem. Para o aterro vão apenas os dejetos, que ficarão em uma célula quimicamente tratada, com mantas de impermeabilização, dutos para a captação dos gases produzidos pelo lixo e sistema de drenagem do chorume. “O lixão tem odor porque não é tratado, é depositado e manipulado o tempo todo, em um processo famigerado. O que se encontra de odor no lixão e de invasão de vetores não vai haver no aterro”, afirma Ramos.

Outra questão levantada pela população de Samambaia é que muitas nascentes estão dentro da área do aterro e podem ser soterradas pelo lixo. A auxiliar de limpeza Ononima Ferreira da Silva, 49 anos, mora há quatro anos com dois filhos e o marido na Quadra 1.031. Ela diz que a população se sente abandonada, sem qualquer orientação sobre o que está sendo feito. “É muito injusto que algo assim aconteça. Precisamos de alguém que olhe a questão da água aqui, além de outros problemas que a gente já enfrenta”.

A reclamação da moradora também é feita pela falta de diálogo com o governo para definição de possíveis investimentos em programas sociais, como forma de compensar os prejuízo causados pela vizinhança indesejada. “Ninguém vem aqui para explicar como fica nossa situação enquanto moradores vizinhos de um lixão, ou aterro, sei lá. Mas a conta do IPTU para pagar sempre vem. E vem no nome da Terracap, do governo, não no nosso”, reclama.


O promotor Roberto Carlos Batista, da 1ª Promotoria de Justiça Defesa do Meio Ambiente (Prodema), explica que duas representações de moradores do Distrito Federal foram apresentadas à 3ª Promotoria levantando um questionamento sobre a escolha do local, já que tinham pelo menos quatro nascentes próximas. “As duas representações foram anexadas ao processo que acompanha o licenciamento ambiental da área, feito pela titular da promotoria, Marcia Eliana de Oliveira”, explicou. Uma notificação aos dois órgãos foi expedida em janeiro solicitando que revejam o local do estudo, que já recebeu do Ibram dois de três licenciamentos, o prévio e o de instalação.

A existência de nascentes e córregos que poderiam ser prejudicados com a criação do aterro, não é confirmada pelo diretor, assim como a possibilidade de o aterro estar na rota dos aviões que chegam e partem do Aeroporto Juscelino Kubitscheck, em Brasília. Ele ressalta que, de acordo com o EIA da Semarh, nada disso foi comprovado. “A área foi licenciada, existem condicionantes para que a gente preserve a área e tudo está sendo feito de maneira a não impactar em nada o meio ambiente. A área foi escolhida com base em estudos e discutida com vários órgãos do DF. Está tudo mapeado e é controlado pelos órgãos ambientais”.


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