Assentamentos rurais familiares do DF sofrem com problemas estruturais

    Às 19h, pontualmente, o produtor Geraldo Justo da Silva, 59 anos, liga o rádio para saber as notícias do Brasil. Sem tevê em casa, o aparelho é o contato com a informação. Geraldo presta atenção especial nos discursos da presidente da República, Dilma Rousseff. De tanto ouvi-la, tem vontade de fazer um convite. “Eu queria chamar a Dilma para vir aqui em casa comer uma galinha caipira. Nesse almoço, eu ia falar que o dinheiro que ela anda destinando para os assentamentos não chega. Aqui onde eu estou, nem chuva tem. Se nem a água chega, o dinheiro vai ser mais difícil. O que a gente tem que descobrir, eu e a Dilma, é para onde o dinheiro vai”, conta Geraldo.

O agricultor mora no assentamento de Itaúna, em Planaltina de Goiás. Em toda a região do Distrito Federal e Entorno, são 194 assentamentos, que, juntos, somam uma área correspondente a 88% do território da capital. Apesar do tamanho, plantar e criar animais têm sido um desafio para os agricultores instalados na região. São problemas como falta de água, energia elétrica, estradas, licenciamento ambiental e dificuldade de acesso ao crédito. Muitos agricultores passam anos sem conseguir tirar o sustento das glebas, que variam de cinco a 40 hectares, segundo dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Sem plantio e colheita constantes, nem o Incra, nem os órgãos de assistência técnica — como a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) do DF — conseguem mensurar quanto os assentamentos da região produzem. A falta de informações torna-se preocupante à medida que mais da metade dos projetos (62,8%) é desenvolvido há mais de 10 anos. Segundo o Incra, até 2003, 122 assentamentos foram criados — 1998 e 1999 são os períodos de maior distribuição de terra.


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