Assaltos e furtos constantes tranformam quadras em endereços do medo


Assaltos e furtos constantes tranformam quadras em endereços do medo

Ludmila Rocha

As quadras 410 e 411 da Asa Sul pedem socorro. Os assaltos ao comércio e os roubos e furtos de veículos são constantes. Muitos moradores e comerciantes da região já foram vítimas de algum tipo de violência ou conhecem alguém que foi. E o pior, a ação dos criminosos não tem hora para acontecer. Eles já não se constrangem em agir em plena luz do dia.

Lojistas da 410 reclamam que a parte de trás do comércio foi tomada por moradores de rua. São crianças e jovens, a maioria com uma extensa lista de passagens pela polícia, que usam drogas, dormem, ascendem fogueiras e até urinam e defecam nas calçadas. Eles chegam a ser presos ou apreendidos, mas logo voltam para o mesmo lugar.

                                                  Intimidação
A empresária Roberta Andrade, dona de um salão de beleza, já foi parar na polícia com um suspeito que investiu contra o seu estabelecimento. “Eles se instalaram na minha porta, assustando a freguesia. As pessoas dão esmolas e eles vão ficando. Ofereci dinheiro para que um deles prestasse um serviço para mim e ele riu da minha cara. Depois se ofendeu porque eu pedi que se saísse da minha porta em horário comercial, queimou um colchão e jogou pedras nas janelas. Minha sócia se machucou com os vidros quebrados”, relata.

Ela conta que já procurou a polícia várias vezes, mas como o problema não foi resolvido, precisou contratar seguranças particulares. “Deixávamos as portas abertas durante o dia. Agora isso não é possível, ficamos com as portas trancadas”, lamenta.

Ernida Ribeiro, 56 anos, presta serviço de transporte escolar na região e diz que já viu pessoas suspeitas com bastões e armas caseiras. “Eles as escondem embaixo das roupas e cobertores. Acho que é para intimidar as pessoas e praticar crimes. Toda semana acontece alguma coisa aqui”, denuncia.

A vendedora Cecília dos Santos, 29 anos, conta que a loja em que trabalha sofreu uma tentativa de furto há cerca de dois meses e que ela própria também já foi vítima de uma assalto quando saia do trabalho. “Dois rapazes cerraram as grandes e invadiram a loja pela entrada de ar. Esse dia, por sorte, a polícia chegou antes. Mas eu não tive a mesma sorte. Estava indo para casa por volta de 19h e fui abordada. Eles levaram a minha bolsa com todos os meus pertences”.

Roubo de carro é comum na área residencial

Há cerca de seis meses uma pizzaria da 411 Sul foi assaltada. Comerciantes reclamam que o policiamento na área é fraco e ocorre mais aos finais de semana. Já na área residencial, o grande problema tem sido os roubos de carros, quase sempre a mão armada.

A região mais crítica é a dos blocos Q, S e T da 410 Sul. Moradores contam que os bandidos normalmente agem em dupla e abordam as vítimas quando elas estão chegando ou saindo dos estacionamentos em frente aos blocos. Só em outubro foram registrados quatro roubos a veículos na área. Todas as vítimas foram mulheres. Na última quarta-feira, uma moradora foi seguida por dois homens que estavam em um Golf que teria sido roubado recentemente na quadra. A polícia já identificou o criminoso, sabe que ele tem 19 passagens pela polícia, vive no Riacho Fundo e é acusado de cometer diversos crimes na região. O ladrão, porém, continua foragido.

Luis Carlos, síndico do Bloco Q, diz já ter presenciado diversos assaltos no local. “A polícia só aparece quando acontece alguma coisa. Não vemos rondas”. A iluminação da quadra também é fraca. A saída encontrada pelo síndico foi instalar postes de luz e câmeras de segurança na frente do bloco.

Funcionários da escola classe da 410 Sul, bem como pais e alunos também se dizem inseguros.

Versão Oficial

Procurada, a Polícia Militar disse apenas que a área é patrulhada normalmente. E que após o acionamento de viaturas, caso a equipe do setor esteja em atendimento de ocorrência, outro carro é designado a comparecer ao local. A orientação da polícia é que os comerciantes adotem medidas preventivas de segurança em seus estabelecimentos, como a colocação de trancas nas portas e o não estendimento do horário de funcionamento, para dificultar a ação de ladrões.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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