As pistas mais vigiadas do País estão no DF


As pistas mais vigiadas do País estão no DF

São mais de mil aparelhos nas principais vias

Mil multas em um mês e meio. Um radar do Departamento de Trânsito (Detran-DF) na altura da quadra 305 do Sudoeste conseguiu a impressionante marca entre março e abril deste ano. O equipamento estava com defeito, é verdade, mas caso a irregularidade não tivesse sido descoberta, seria apenas mais um número impressionante nas estatísticas de Brasília, nada absurdo.

O DF tem as pistas mais vigiadas do Brasil. Entre os radares controlados pelo Detran e Departamento de Estradas e Rodagem (DER), são 1.002 aparelhos espalhados pelas regiões administrativas. O número é impactante tanto em termos absolutos quanto relativos, e denota preocupação com o tema na capital.

Em comparação com a cidade de maior frota veicular do País, São Paulo, o DF tem quase 160 radares a mais, apesar de possuir um oitavo da quantidade de veículos e pouco mais de um décimo da população. Em Brasília, há um radar para cada 1,5 mil veículos, enquanto em território paulista, essa proporção é de um para oito mil

“Pelos nossos estudos técnicos, os radares estão em número ideal. Mas todo ano esses estudos são renovados para saber se novas instalações são necessárias”, diz o diretor-geral do Detran, Rômulo Félix. Para ele, o monitoramento tem surtido efeito, já que “as multas continuam, as pessoas estão reduzindo a velocidade e não temos tantos acidentes em virtude de excesso de velocidade”.

O especialista em trânsito Artur Moraes, no entanto, quer mais vigilância. “Comparados à França, por exemplo, não temos quase nada”, diz. Para ele, o perfil do motorista brasileiro é de alguém que não se importa com a lei e apenas procura não ser punido. “Deveria haver bem mais ‘pardais’ para melhorar a segurança. Se os motoristas fossem respeitosos e andassem na velocidade da via, não haveria necessidade de tanta fiscalização”, argumenta.

Multa pode ser a melhor alternativa

O preparador de veículos Francisco Almeida, de 48 anos, concorda com a necessidade de fiscalização. Motorista há 22 anos, segundo o próprio, levou apenas uma multa por excesso de velocidade na vida. “Foi no M Norte, em uma barreira que era de 40 km/h em uma via cuja velocidade máxima era 60 km/h. Fiz confusão”, admite.

Ele acredita que a fiscalização é importante pois “tudo para frear o motorista de Brasília é bem-vindo”. “Se eu ando dentro do meu direito, quem não anda tem que ser punido mesmo. A multa funciona porque a pessoa ‘morre no bolso’, então passa a prestar atenção”, acredita.

O preparador de veículos diz ser bom o monitoramento da cidade por radares, mas afirma querer ver mais blitze nas ruas. “Pardais são ótimos, mas a polícia é ainda melhor”, defende.

A campeã

Dentre as vias de responsabilidade do DER, a Estrada Parque Taguatinga-Guará (EPTG ou DF-085) é a mais vigiada. Nos seus cerca de 20km de extensão, há 50 pardais, cinco equipamentos de monitoramento da faixa exclusiva e quatro câmeras. Ou seja, a cada 300 metros, aproximadamente, existe algum aparelho pronto para multá-lo. “O motivo é o grande fluxo de veículos, cerca de 140 mil por dia, e o consequente alto risco de acidentes”, justificou o departamento por meio de sua assessoria.

O representante comercial Ramon Melo Pires, de 35 anos, é um dos vários motoristas que trafegam na EPTG diariamente. Ele confessa que “já levou muita multa por excesso de velocidade” e acredita que alguns pardais não estão bem colocados. “Na (BR) 070, por exemplo, tem um radar de 60 km/h numa via de velocidade”, afirmou.

Questão com várias vertentes

Ramon Melo Pires, 35 anos, conta que a EPTG também “o vitimou”. Ele pondera fatores que levam o cidadão a ter pressa no dia a dia. “Às vezes, a pessoa tem que correr para o trabalho ou para algum compromisso, porque em Brasília tudo é longe”, justifica. “Essa faixa exclusiva (na EPTG) também piorou o trânsito demais, aí as pessoas acabam querendo ir mais depressa”, completa.

Para ele, faltam campanhas educativas e respeito por parte dos motoristas. “Talvez se o governo desse desconto no IPVA, por exemplo, caso o cidadão passasse um ano sem levar multas”, sugere.

Números grandes

O número de multas contabilizado a partir de dados do próprio Detran, do DER e da Polícia Militar do DF, aumentou de 2012 para 2013 em quase 250 mil. O departamento informou que neste ano mais de 660 mil notificações por irregularidades já foram emitidas, o que, segundo a Transparência, já gerou receita na ordem de R$ 40 milhões.

Essas questões suscitam o mito da “indústria das multas”. “Dizem que os pardais fazem parte dessa indústria, mas é muito fácil sabotá-la. É só os motoristas trafegarem na velocidade permitida da via”, opina o especialista Artur Moraes.

Educação e fiscalização juntas

O Detran, que tem à disposição 462 equipamentos de fiscalização, informou não ter havido, nos últimos quatro anos, “aumento significativo” do número desses aparelhos. Apesar disso, exalta a redução do número de acidentes com mortes entre 2010 e 2013. De acordo com a autarquia, foram 431 ocorrências no primeiro ano contra 358 ano passado, “devido a conjunto de ações de educação, fiscalização e engenharia”.

A redução de 16% da quantidade de acidentes, no entanto, não deixou nem DER nem Detran satisfeitos e ambos possuem meta de implantação de mais radares pela cidade. O diretor-geral do Detran, Rômulo Félix, no entanto, diz que um estudo ainda não divulgado revelou, após análise de vários laudos de acidentes no DF, que apenas 8% deles teriam sido diretamente causados por excesso de velocidade.

Os dados ainda serão organizados e repassados oficialmente, mas para ele, isso demonstra que a preocupação da autarquia deve ser voltada para outro grande problema: a distração ao volante.

“Quase 30% dos acidentes teriam acontecido pois o condutor estava falando ao celular, pegando um objeto caído ou mandado mensagem, que virou coisa comum hoje em dia”, revelou Rômulo. Segundo o diretor, isso deve influenciar as próximas campanhas educativas, que devem dar destaque à prevenção desse tipo de situação.

Pense nisso

Tentar chegar rápido aos lugares pode custar caro, tanto literalmente quanto metaforicamente. O personagem entrevistado, Ramon, sofreu um acidente logo depois de tirar a CNH, aos 18 anos, pois, segundo ele, “era jovem e não tinha noção de muita coisa”. O jeito é se planejar ao sair de casa e não dar motivo para o azar, ainda mais em uma cidade tão vigiada, segundo padrão brasileiro, como o DF.

Saiba mais

Sob controle do Detran, existem 135 equipamentos que verificam avanço de semáforo, 223 dos chamados ‘pardais’ e 104 barreiras eletrônicas. A autarquia disse não ter como informar qual tipo de dispositivo registra mais ocorrências e nem qual autuação é mais corriqueira.

De acordo com o Detran, Brasília tem frota registrada de mais de 1,5 milhão de veículos, contra os cerca de oito milhões de São Paulo.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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