As marcas da prostituição que você não conhece

Apesar de roupas e maquiagens chamativas, uma vida sem brilho e sem cor. Por trás de um belo sorriso, muita tristeza. Histórias de meninas marcadas por “seus proprietários” revelam a solidão e o desejo de mudança

Por Ana Carolina Cury / Fotos: Fotolia, Marcelo ALves e Reprodução Instagram

Por Ana Carolina Cury / Fotos: Fotolia, Marcelo ALves e Reprodução Instagram

Sinais pelo corpo revelam marcas que distinguem mulheres. Uma escravidão psicológica e sexual faz com que garotas de programa sejam tratadas como propriedade. Recentemente, uma denúncia feita pelo canal de televisão norte-americano CNN revelou isso. Em corpos tatuados existem mais do que desenhos, símbolos ou nomes: são marcas que mostram o poder dos “proprietários”.

Além do abuso emocional, essas tatuagens são um lembrete da violência, da opressão e dos perigos de uma atividade divulgada como atraente, mas que, na verdade, é triste, solitária e destrói vidas e famílias.

Assim, homens e mulheres caem na armadilha e usam a prostituição como fonte de traições e ilusões. Só que o que muitos não sabem é que são vítimas de um mundo sujo que busca apenas dinheiro. Por isso, a equipe da Folha Universal reuniu quatro mulheres para desvendar quais são as verdadeiras marcas da prostituição: Clara, Ana Júlia, Silvana e Andressa. Elas abriram o jogo e fizeram revelações sobre o que podemos chamar de “prostituição nua e crua”.

A realidade que apropaganda não mostra
Detestadas por muitas pessoas, elas carregam consigo histórias e traumas que ninguém vê, mas que em muitos casos são o pontapé inicial para entrar nesse meio. “Nesse sentido, a baixa autoestima, aliada aos sentimentos de rejeição, discriminação e a vivência da violência, facilita o envolvimento de jovens no contexto da exploração sexual comercial”, explica Mirian Lopes, sexóloga e psicóloga.

O abuso vivido na infância fez com que Clara buscasse na prostituição uma forma de se vingar. “Fui estuprada várias vezes, quando criança, por um parente e jurei vingança a todos os homens”, conta a jovem, que pediu para ter o nome verdadeiro trocado.

Ela também faz questão de alertar que o luxo na prostituição não existe e que grande parte da mídia ilude as pessoas, por meio de fotos e vídeos, para ganhar dinheiro em cima de quem entra nessa vida. “Na adolescência, passei a trabalhar em casas noturnas com cafetões. Homens comprometidos, famosos, políticos, pessoas ‘respeitadas’ pela sociedade me procuram. Só que eles têm uma face que poucos conhecem. É nojento”, revela.

Clara deixa claro que foi uma opção dela ser prostituta, mas que pagou e ainda paga um alto preço por isso. “Tirei agora um tempo para refletir sobre tudo isso. Estou há oito anos presa a essa atividade e pretendo parar. Carrego a marca da humilhação, mas ainda tenho o sonho de constituir uma família”, afirma.

Ter uma família também é o desejo de Ana Júlia, de 25 anos, garota de programa. A jovem, que decidiu se prostituir após o convite de uma amiga, argumenta que tem data para sair dessa vida. “Fiz meu primeiro programa com 16 anos porque queria pagar uma dívida do cartão de crédito. Desde então, se passaram nove anos de dificuldades e sofrimentos. Quero parar”.

Ana conta que teve que lidar com situações horríveis. “Uma vez um homem colocou uma arma na minha cabeça. Em outra ocasião, um rapaz bêbado me espancou. Já fui chutada em festas. Esses foram alguns dos muitos momentos ruins que me fizeram e me fazem querer desistir”, desabafa.

Tanto Clara como Ana afirmam que esse trabalho é um circulo vicioso e que, quanto mais dinheiro se ganha, mais se perde. “A vontade de ser rica me iludiu. Mas eu ainda acredito que exista um amor puro e quero encontrá-
lo”, salienta a jovem Ana.

Marcas que podem ser apagadas
A história de Silvana Angélica de Freitas, de 37 anos, (Foto ao lado) prova que é possível, sim, parar. Hoje ela é cabeleireira de um dos mais renomados salões de São Paulo, mas quem a conhece sabe que a trajetória dela não foi nada fácil. “Cresci em meio a muitas dificuldades financeiras e presenciei o vício do meu pai com a bebida. Vivia em busca de dinheiro para ajudar a minha família”.

Desempregada e em busca de oportunidades, ela se lembra que viu num jornal um anúncio de uma casa em busca de garotas para trabalhar. Até hoje ela se recorda do primeiro programa que fez, quando tinha 20 anos. “Eu me senti suja e ao mesmo tempo muito angustiada porque sabia que não era certo. Só que, em alguns dias, ganhei muito dinheiro – o que não ganhava em meses de trabalho. Isso me fez continuar”, confessa.

Ela relata que saiu com diversos cantores sertanejos e políticos. “Não posso revelar os nomes, para preservar a minha vida, mas posso afirmar que é um mundo sujo e no qual as pessoas mostram que não têm caráter nenhum. Teve uma ocasião em que quase fui estrangulada por um cliente alcoolizado”, comenta.

A cabeleireira escondeu a profissão da família por muitos anos, até que, aos 23 anos, decidiu parar. “Não queria mais me esconder. Pedi ajuda à minha família e ela me acolheu”, conta.

Sua irmã a levou para a Universal, onde ela descobriu que poderia ter uma nova chance. “No começo, foi difícil me desapegar da vida material, mas descobri que viver em paz era melhor do que ter dinheiro. Com o tempo, as orientações recebidas nas reuniões e com a minha decisão de mudar, consegui recomeçar”, diz.

Hoje, Silvana está casada e aprendeu a acreditar novamente no amor. “A fé que eu aprendi a ter em Deus me deu forças para ir atrás de uma nova vida. Fiz um curso de cabeleireira e hoje trabalho em um dos dez salões mais luxuosos do mundo”.

Ela diz que é possível apagar as marcas da prostituição, mas, para isso, é preciso dar o primeiro passo. “Você, que está nessa profissão, abandone tudo sem olhar para trás e busque ajuda em Deus. Não desista de você”, aconselha.

A modelo e apresentadora Andressa Urach, que também sentiu na pele as humilhações de uma vida de prostituição, afirma que não tem sido fácil para ela recomeçar longe dessa prática, mas garante que nunca mais voltará a ter a vida de antes. “As pessoas dizem que estou fazendo marketing, que voltarei a ser a mesma, mas só eu sei como está o meu coração agora: em paz! Eu sei muito bem o valor dessa fé que me transformou”, revela.

É essa fé que a faz superar as ofensas e desconfianças de quem não acredita na sua mudança. No mês passado, ela foi humilhada publicamente por um apresentador de TV quando dava detalhes do livro Morri para Viver. Ele a fez chorar ao vivo ao dizer que não há desculpas para quem se prostitui. “Eu aprendi a perdoar. Talvez muitos tenham o mesmo pensamento que ele, mas só quem viveu sabe o preço que se paga por essa escolha. O importante é quem eu sou hoje e só escrevi o meu livro para poder ajudar outras pessoas que passaram pelo que eu passei”, completa.

Andressa tem visitado presídios e instituições que abrigam crianças e jovens vítimas de violência sexual, para contar sua história e ajudar quem deseja mudar de vida. Muitas meninas, que estão no anonimato, sofrem muito, assim como a modelo, quando decidem sair da prostituição.

Por isso, para começar uma nova vida, é importante levar consigo a mensagem de Jesus: “Vá e não peques mais”. Não há rótulos que impeçam uma pessoa de reescrever sua história. Acredite em você e busque a felicidade verdadeira.

About Germano Guedes

Olá Pessoal, Sou Germano Guedes, criador do site “a politica e o poder”. Baiano, morador da Estrutural desde 99, cheguei a Capital Federal para tentar a vida como milhares de outras pessoas. Ao chegar na Estrutural, começei a participar de discussões que visavam a melhoria da qualidade de vida na Cidade. Vi que alguns grupos já formados, ” monopolizavam” os moradores e inclusive, a informação que chegava até a comunidade. Nessa condição, resolvi criar um blog – meio que possibilitaria levar informação as pessoas. Neste canal, soltei o verbo e começei a dizer o que eu realmente pensava sobre o que acontecia na Estrutural. Abordei vários assuntos polêmicos, revelei notícias “bombas” e muitas vezes, tive que desmascarar grupos organizados que não pensavam no interesse da população – como diz o ditado ” era só venha a nós” e a população que se vire. Como Prefeito Comunitário pude participar mais ativamente das ações políticas que discutiam a Estrutural. Lixão, instalação de creches, reabertura de escolas e a regularização de alvará dos comerciantes eram algumas de nossas reivindicações. No ano de 2014, fui indicado pelo meu Partido – PRB – a vaga de administrador da Cidade. Continuo abastecendo o site com notícias e assuntos polêmicos, dizendo realmente o que penso. Porém, agora somos uma equipe e ” A Política e o Poder”, além de abordar assuntos correlatos à Estrutural, terá uma discussão voltada para todo o Distrito Federal, garantido informação e notícias exclusivas a todos os brasilienses que nos acompanham.
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