Arruda dá soco na mesa e ameaça adversários


José Roberto Arruda Ex-Governador do DF

Dois anos e meio após ser preso e ter o mandato cassado como suposto chefe da organização criminosa batizada de mensalão do DEM, desmantelada pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda deu ontem seu primeiro depoimento à Justiça.

Ele negou as acusações, disse que foi vítima de vingança de inimigos e, dando socos na mesa, ameaçou ir à forra: “Já que destruíram minha vida, não tenho pressa. Só digo uma coisa: ainda não apareceu nem metade da missa”. 


Arruda está indiciado na ação penal 707, que corre no Superior Tribunal de Justiça, pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, podendo pegar mais de 20 anos de prisão se condenado. Ele foi ouvido no Tribunal de Justiça do DF, por delegação do ministro Arnaldo Esteves Lima, relator da ação. A quadrilha, segundo as investigações da Polícia Federal, teria desviado mais de R$ 1 bilhão dos cofres públicos em seis anos.

O delator do esquema, o ex-secretário de Relações Institucionais Durval Barbosa, que também depôs ontem, reafirmou a denúncia de que Arruda comandava a organização criminosa. Ele disse que pagava as contas do ex-governador com dinheiro sujo, inclusive viagens internacionais. “Deixava dinheiro escondido, dólares, em um banheiro para ele.” Explicou que Arruda frequentava a casa dele e que teria deixado dinheiro de contratos de informática até com a sogra dele.
Arruda negou as acusações e disse que todos os diálogos apresentados por Durval e periciados pela PF foram editados e manipulados. “Acabaram com a minha vida pública porque eu não cedi às chantagens desses bandidos.” Mas entrou em contradição e admitiu que, após eleito, recebeu os empresários financiadores de sua campanha, que teriam lhe cobrado a fatura. “Financiamento privado de campanha é fonte de crise permanente”, observou, citando como exemplo o mensalão petista.

Além de Arruda, figuram na lista de 37 denunciados pelo Ministério Público o vice-governador Paulo Octávio Pereira, dez deputados e ex-parlamentares, secretários de Estado e autoridades. Em 20 de setembro, no último despacho sobre o caso, o ministro relator transformou o inquérito criminal 650 na ação penal 707 e os acusados se tornaram formalmente réus. Eles responderão pelos crimes de corrupção – ativa e passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Por: Vannildo Mendes
Fonte: Jornal Estado de São Paulo – 17/10/2012

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