Arruda avisa que é candidato


Arruda avisa que é candidato

Na opinião de ex-governador, decisão tomada pelo TJ não o torna inelegível

O ex-governador José Roberto Arruda (PR) garantiu ontem que continua candidato e elegível mesmo após a decisão dada contra ele, na quarta-feira, pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Ele afirmou ter sofrido um golpe, orquestrado pelo PT no que chamou de “política do medo”, para deixá-lo inelegível. Também negou a possibilidade de indicar outro nome para substitui-lo na disputa, a exemplo do que ocorreu com Joaquim Roriz nas eleições de 2010.

Em entrevista coletiva, Arruda prometeu recorrer da sentença, que o condenou por improbidade administrativa, assim como da decisão de primeira instância no mesmo sentido.

Suspeição de juiz

O argumento do ex-governador é que o juiz responsável pelo caso, Álvaro Ciarlini, da 2ª Vara de Fazenda Pública, já foi considerado suspeito para julgar o processo. A suspeição foi declarada pela primeira vez atendendo a um pedido do ex-presidente da Câmara Legislativa Leonardo Prudente.

O candidato do PR se sentou ao lado de sua esposa, Flávia Arruda, do senador Gim Argello (PTB), que tenta a reeleição, do vice da chapa, Jofran Frejat (PR) e de quatro advogados que o representam no caso.

Durante quase 40 minutos, o ex-governador fez ataques à gestão de Agnelo Queiroz e o acusou de estar usando o cargo para facilitar o caminho nas eleições. “Ele tem dito ‘eu tenho influências. O PT está trabalhando e o Arruda não será candidato’. Eu não tenho medo das suas bravatas”, avisou.

Ministério Público avalia recurso

Para o Ministério Público, o registro de Arruda pode ser concedido, já que não existia condenação antes do pedido ao TRE. No entanto, existiria a possibilidade de que a diplomação, caso eleito, seja impedida, caso o ex-governador não consiga anular em instâncias superiores a condenação já ocorrida. Em nota divulgada ontem, admite que, “enquanto não houver uma decisão definitiva sobre o caso (trânsito em julgado), a lei assegura que podem continuar com a campanha, arrecadar recursos e ter o nome inscrito na urna.

Para o advogado eleitoral de Arruda, Francisco Emerenciano, não haverá qualquer tipo de problema nem mesmo no exercício do mandato. “Esse pedido de registro certamente será deferido pelo TRE e confirmado, se necessário, pelo TSE”.

Ele admitiu a possibilidade de novas ações, no decorrer do pleito. “Mas é possível que ajuizemos também ações contra o Agnelo”, advertiu. “Isso faz parte do pleito e essas ações terão curso normal. Do nosso ponto de vista, novas ações não causarão qualquer problema para o registro, para a diplomação e para o exercício do mandato”, afirmou.
Site traz versão da campanha sobre vídeos

1. Para provar sua inocência, o ex-governador Arruda criou a página www.golpede2009.com.br.

2. Lá, ele tenta expõe sua versão dos fatos, exibe documentos e é categórico ao dizer que nunca existiu um Mensalão do DEM.

3. Durante a coletiva de ontem, o ex-governador citou várias vezes o site.

4. Nos textos, o candidato do PR diz que recebeu um convite do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, para que mudasse de partido e integrasse a coalizão de partidos que apoiaria a candidatura da presidente Dilma Rousseff.

5. A negativa teria motivado o suposto golpe, vindo de cima portanto, de acordo com José Roberto Arruda.

6. Por meio de sua assessoria, Gilberto negou a acusação e disse que “jamais discutiu questões partidárias com esse cidadão. Seu relato é uma absoluta invenção. É tão verdadeiro quanto a honestidade dele”.

7. A página de Arruda na internet também traz uma explicação a respeito dos vídeos em que ele e várias outras figuras políticas aparecem recebendo dinheiro.

8. Arruda afirma que as gravações seriam anteriores ao seu governo e que Durval Barbosa, o delator do esquema, teria editado os vídeos antes de entregá-los ao Ministério Público. Isso está comprovado.

9. De acordo com a assessoria de Arruda, o site recebeu mais de 10 mil acessos nos cinco dias que se seguiram à sua criação.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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