Aposentado sofre com a falta de transporte no trajeto para a hemodiálise


Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br

Antônio Xavier de Miranda é um aposentado de 68 anos que precisa realizar hemodiálise três vezes por semana. Ele mora em Ceilândia Norte, na QNM 22, mas se submete ao procedimento três vezes por semana no Hospital Universitário de Brasília (HUB), na 605 Norte.

A hemodiálise é um procedimento doloroso em que um tubo é ligado à corrente sanguínea e conectado a uma máquina. O aparelho realiza as funções de um rim defeituoso, por exemplo, e filtra o sangue para transferi-lo novamente, dessa vez adicionado de nutrientes e livre de impurezas, ao organismo. Em casos mais sérios, apenas o transplante de rim pode livrar alguém de fazer o procedimento.

“Após as sessões eu saio tonto, caindo. A agulha fica mais de quatro horas puxando meu sangue’, diz o idoso que, após 10 anos de tratamento, possui dificuldades de locomoção devido a grandes calombos no braço esquerdo e a gota. Ele ainda tem problemas cardíacos e recentemente foi diagnosticado com pneumonia. Apesar disso, Antônio teve que enfrentar dois ônibus lotados e abafados para voltar da sessão de hemodiálise na última quarta-feira (17).

Há cerca de um ano, a filha Andreia de Miranda, 35 anos, solicitou à Administração de Ceilândia que cedesse transporte ao pai e o pedido foi atendido. Mas apenas por três dias. Depois, a responsabilidade foi transferida ao Hospital Regional da cidade, que, segundo a moça, possui o laudo médico do aposentado e sabe da necessidade do serviço.

Mesmo assim, anteontem, Antônio esperou das 16h, horário em que terminou sua hemodiálise, até as 18h e a van não veio. Decidiu então usar o transporte público e sofreu durante o trajeto em horário de pico.

“Ele chegou em casa passando mal. Não podiam ter feito isso”, lamentou-se a esposa de Antonio, Ilza Vanderlei, que também se indignou com o descaso do Hospital. “Um rapaz chegou aqui umas 20h e disse que não o buscaria. Disse que, a partir dessa sexta, não iam mais buscar. Mas eles nem avisaram antes!”

O protesto foi partilhado por Andreia, que ressaltou a importância do tratamento para o pai. “Ele pode até morrer se não fizer hemodiálise. E é uma coisa para a vida inteira. O motorista que foi à casa dos meus pais disse que não mais o levaria por falta de pagamento do governo. Mas e como fica nossa situação?”.

A “explicação”

O diretor administrativo do Hospital de Ceilândia, Sérgio Carvalho de Bezerra, não soube especificar o problema, mas negou irregularidades nos salários dos funcionários. “Às vezes os servidores inventam coisas. O que acontece é que, com os novos contratos, nossa frota está reduzida e estamos priorizando alguns atendimentos.”

A Secretaria de Saúde do DF confirmou a existência do processo de renovação dos contratos de transporte e afirmou que a licitação está sendo conduzida pela Secretaria de Planejamento (Seplan). Curiosamente, a Seplan negou qualquer renovação contratual recente e disse que a última aconteceu há cerca de um mês.

A pasta da Saúde garantiu que está reforçando a frota dos Hospitais durante o processo de transição, se é que ele existe, e disse que assegurará o direito dos pacientes.

Hoje saberemos


Na manhã de hoje Antônio tem nova sessão de hemodiálise marcada no HUB e, de acordo com o cronograma antigo, deveria ser buscado na porta de casa por volta das 9h. Resta saber se o Hospital de Ceilândia não o considera mais “prioritário” ou se a promessa da Secretaria de Saúde se cumprirá.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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