Após várias polêmicas, Secretário de Educação Denilson Bento pode ser mais um a deixar o GDF

Sofrendo pressão na SEDF, Denilson Bento perdeu apoio da ala sindical do PT-DF que o segurava no cargo de secretário. Sua saída do GDF poderá ser consumada nos próximos dias. (Foto: Gilda Diniz)

Não é por falta de motivos e oportunidades que o Secretário de Educação Denilson Bento ainda não foi exonerado do cargo. Aliás, justificativas não faltam para uma mudança na Pasta.

Certa vez, logo após exonerar o deputado Cristiano Araújo (PTB) do cargo de Secretário de Desenvolvimento, o governador Agnelo Queiroz sustentou a mudança alegando que quem não desempenhasse bem a função seria tirado dos quadros do GDF. A questão aqui não é o real motivo da exoneração – todos sabem que foi uma retaliação ao parlamentar por este ter contrariado alguns interesses de Agnelo -, mas sim a própria justificativa. Por falta de um bom desempenho nas funções, Denilson Bento já poderia ter sido destituído.

A lista motivadora por sua exclusão do quadro é extensa. Vejamos: A insatisfação em relação à Educação no Distrito Federal passa por diversos campos dentro da comunidade escolar. Desde o início de sua gestão, Denilson cria conflitos com a categoria dos professores. Podemos citar como exemplo a maior greve da história do DF. Foram 52 dias de braços cruzados. E a paralisação só teve fim por que a OAB e a bancada federal do DF no Congresso Nacional intermediaram o impasse.

Ainda relacionado aos docentes, o ano de 2013 começou com uma polêmica entre o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) e a Secretaria de Educação: a implantação imediata do Ciclo de Aprendizagem. O método em si não foi o problema, mas sim a forma. “Eles querem empurrar goela abaixo sem debater com os professores, com os alunos e com os pais”, criticou à época o diretor do Sinpro-DF, Washington Dourado.

Outro ponto negativo na gestão de Denilson Bento é a forma como ele lida com os julgamentos da população. No final de abril, o secretário mandou apagar algumas pinturas em muro de escola em São Sebastião por que faziam críticas ao governo de Agnelo Queiroz. A notícia foi destaque em nível nacional e configurado como ditatorial.

Indigestão – Foi motivo para uma investigação bem criteriosa também, a merenda superfaturada. O Portal Guardian Notícias denunciou no início deste ano (veja aqui) que o valor dos alimentos escolares no DF são os mais caros do Brasil, com uma supervalorização de 165%, isso em relação apenas em leite em pó. Uma reportagem da revista Veja denunciou que a Secretaria de Educação do DF comprou produtos para merenda, como lata de óleo de soja, arroz e quilo de milho com sobrepreço que batia a casa dos 118%.

Caixa de Pandora – Tão crítico ao governo de Arruda e ao Mensalão do DEM, a Secretaria de Educação ainda possui um elo com a uma empresa envolvida no caso de corrupção no DF que ficou conhecido como Caixa de Pandora. A Pasta usa mais de dois mil computadores da LinkNet. A Secretaria, porém diz que não existe nenhum contrato vigente entre a SEDF e a empresa Linknet, mas que os computadores em uso são objetos de uma contenda judicial. “Nesse sentido a SEDF aguarda as determinações da justiça para saber quais serão as medidas adotadas a respeito”, sustenta.

Não bastasse a falta de apoio do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), agora, Denilson também não conta com a base de apoio que tinha dentro do PT. Por causa da fragilidade que o acomete, o secretário pode ser o próximo alvo da artilharia de Agnelo Queiroz, na tentativa de reerguer sua imagem diante da desconfiada população.


Por Elton Santos
Da Redação do blog Guardian

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