Após ser condenado a 80 anos de prisão, Beira-Mar é levado a presídio no PR


Após ser condenado a 80 anos de prisão, Beira-Mar é levado a presídio no PR Luiz Fernando da Costa foi considerado culpado por ordenar o assassinato de três moradores da Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em 2002 
O traficante negou todas as acusações
O traficante Luiz Fernando da Costa, conhecido como Fernandinho Beira-Mar, foi condenado, na madrugada desta quarta-feira (13/3), a 80 anos de reclusão, por ordenar o assassinato de três moradores da Favela Beira-Mar, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. De dentro do presídio Bangu I, Beira-Mar mandou, por telefone, que seus comparsas executassem Antônio Alexandre Vieira Nunes, o “Playboy”, Edinei Thomaz Santos e Adailton Cardoso de Lima, em 27 de julho de 2002. Ele vai cumprir pena pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio contra Adailton, já que este conseguiu sobreviver. O criminoso afirmou que vai recorrer da decisão.

Logo após a condenação, Beira-Mar embarcou no Aeroporto Santos Dumont em um avião do Departamento Penitenciário Nacional (Depen) da Polícia Federal. Ele foi levado à Catanduvas, no Paraná, onde deve continuar preso.

A sentença foi lida pelo juiz Murilo André Kieling, em exercício no 4º Tribunal do Júri, ao ressaltar que Beira-Mar atuava dotado de uma espécie de “poder de domínio” sobre todas as coisas no território. “Ordenou o atuar dos asseclas pelo telefone, dentro do cárcere. Desafiou os grilhões do cárcere. Subjugou seus desafetos através da barbárie ou do terror. Uma típica execução sumária. A sociedade exige ação e repudio”, sentenciou. Fora a condenação desta quarta, as penas contra Fernandinho Beira-Mar pelos crimes cometidos no Rio chegam a 69 anos e seis meses de prisão. A marca alcança 120 anos se computadas as decisões de outros estados.

A sessão de julgamento durou mais de dez horas, marcada por intenso debate entre acusação e defesa. O traficante negou ser o mandante das execuções. “Tanto que eu mandei socorrer o Adailton, que era meu olheiro na comunidade”. Admitiu ter mentido em interrogatório anterior, quando disse que não tinha conhecimento das mortes e que a voz detectada em interceptações telefônicas da Polícia Federal não era dele. “Hoje, tenho uma outra visão de mundo, faço Teologia à distância e quero pagar o que devo à Justiça. Mas quem ouve essas gravações percebe que não ordenei a morte de ninguém”, afirmou.

A defesa tentou desqualificar as provas apresentadas pelo MP, alegando que eram gravações obtidas sem autorização da Justiça. A denúncia contra Beira-Mar foi oferecida em 2002 pelo MP na 4ª Vara Criminal de Caxias. No entanto, o processo acabou sendo transferido para a capital depois que alguns jurados procuraram o Judiciário e relataram o temor de participar da sessão, já que moravam próximos da comunidade Beira-Mar, reduto do traficante.


Correio Braziliensse 

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