Apagões viram rotina no DF e CEB atribui o problema ao aumento de consumo Embora a oferta tenha melhorado na área central de Brasília, a crise é grave nas regiões ao redor do Plano Piloto

Apagões viram rotina no DF e CEB atribui o problema ao aumento de consumo Embora a oferta tenha melhorado na área central de Brasília, a crise é grave nas regiões ao redor do Plano Piloto

Flávia Maia

Thalita Lins

Raimunda passou quatro dias sem luz: “Perdi dois quilos de carne”

Há 20 anos, a auxiliar de cozinha Raimunda Nonata Vieira dos Santos, 42 anos, deixou a escuridão de Floriano, no Piauí, para morar no Distrito Federal. Ela trocou o sertão nordestino pela capital do país, mas não se livrou das constantes quedas de energia. No último dia 14, Raimunda Nonata e a família ficaram cerca de 96 horas às escuras. Foi a gota d’água, segundo a moradora da QNN 23, em Ceilândia Norte. Durante quase quatro dias inteiros, a mulher precisou mudar a rotina da casa simples. No lugar da luz elétrica, acendeu velas por todo o imóvel. Viu alimentos congelados apodrecerem na geladeira. Conseguiu salvar algumas peças de carne graças aos vizinhos que não passaram pela mesma angústia. “Perdi dois quilos de carne que havia separado para comer durante a semana. Além de verduras que já estavam refrigeradas e que não prestaram depois. Estragou tudo. Só comprei comida depois que a luz voltou”, lamentou.

Segundo a piauiense, a CEB não explicou os motivos para o longo período sem luz em parte das casas da região. “Liguei várias vezes para que o serviço fosse normalizado. No sábado — três dias depois do início do apagão —, veio uma equipe da CEB e não adiantou. Continuei no escuro. Eles disseram que a demora aconteceu porque havia apenas uma equipe para atender toda a Ceilândia”, contou Raimunda Nonata. A falta de técnicos deveu-se à greve da companhia (leia Entenda o caso). “Eu dou graças a Deus por não ter queimado nenhum aparelho da minha casa.”

A suspensão do fornecimento energia que afetou Raimunda teve uma duração atípica. Entre janeiro e setembro deste ano, os brasilienses ficaram, em média, 11 horas sem luz elétrica na residência ou no trabalho. Foram 10,33 vezes sem eletricidade. Em regiões mais afastadas, a situação é pior. Na zona rural do PAD Jardim, o número foi três vezes maior: 31 horas sem energia e 30 interrupções, uma média de 3,33 interrupções por mês. Os moradores de São José, Contagem e Mangueiral enfrentaram problema semelhante.


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