Amy: o talento que se calou cedo


Há pouco mais de dois anos de sua morte, a cantora e seus sucessos são lembrados e aplaudidos

Polêmica e com canções inesquecíveis. Amy Winehouse, criadora de sucessos que narravam sua história de vida, se foi jovem, com apenas 27 anos, mas em pouco tempo se mostrou única e capaz de criar e espalhar composições como “Back to Black”, “Tears Dry on Their Own” e da inesquecível “Rehab”, hit que se tornou jargão entre muitos brasileiros. Amy se foi, mas seus sucessos continuam na mente dos fãs, que acreditam que seu talento nunca morrerá.

A carreira de Amy começou aos 19 anos e foi marcada por polêmicas e seu vício em bebida alcóolica. O alcoolismo inspirou a cantora a compor “Rehab”, em apenas três horas. A música é um desabafo. Amy relata a insistência da família em leva-la para a reabilitação (rehab, em inglês).

Para quem entende de música, o som de Amy ainda dará o que falar e continuará a ser lembrado por muitos anos. Para a jornalista e fã da cantora Rosane Amaral, 22 anos, a cantora mudou a maneira como era feita e ouvida a música nos anos 2000. Segundo ela, esse é o fator que fará com Amy não seja esquecida.

“Ela fez a nova geração prestar atenção em voz, em letras, coisa que havia sido esquecido em meio a tantas popstars que vivem de mostrar o corpo e auto-tune. Ela deixou uma marca e abriu caminho para tantas cantoras e compositoras, como Adele, por exemplo, que já conhecia Amy antes da fama e foi diretamente influenciada por ela”, ressalta.

NO PORTUGUÊS…

“Você sabe que eles tentaram me fazer ir à reabilitação, mas eu disse não, não, não”. O refrão era simples, mas trazia em si algo profundo e dramático, que para os fãs se tornou um apelo da cantora que queria apenas se expressar e viver à vida intensamente sem pensar no amanhã.

Apesar de algumas letras remeterem a uma única conclusão – pelo menos para quem não conhecia Amy – de que ela era infeliz, o teor de suas composições, se ouvidas a fundo, mostravam o contrário. “É possível perceber que ela não era feita apenas de tristeza, ela tinha um ótimo senso de humor”, diz Rosane.

Ainda é comum ouvir brasileiros, especialmente fãs de Amy Winehouse falando “rehab”, ou “no, no, no”. Para muitos, o talento de Amy não morrerá. “Ela foi um ‘sopro’ de vida nova à música. Amy trouxe algo que estava meio perdido: essa questão de letras confessionais e cantar com a alma”, afirma a estudante Karolyne Azevedo, 19 anos, fã da cantora.

Rosane Amaral, que coleciona CDs, camisetas e DVDs da cantora, acredita que o sucesso alcançado por Amy a ajudaram a estourar mundialmente. “As polêmicas foram consequência do sucesso. Ela seria bem-sucedida de qualquer jeito, mas é claro que as polêmicas ajudaram a aumentar a popularidade dela”, disse.

“TALENTOSA E ÚNICA”

O jeito com que criava suas canções, com seu DNA fizeram de Amy diferente de outros artistas de sua geração. “Ela era muito sensível, não tinha vergonha de se mostrar vulnerável e apaixonada em suas músicas. Tudo que escrevia era autobiográfico e quem ouve as músicas dela imediatamente se identifica com o que ela está dizendo. Ela não era uma celebridade, era uma pessoa comum, com um talento incrível” explica Rosane Amaral.

Outro fator que Karoline acredita ser inevitável para que Amy continue a ser lembrada nos próximos anos é a idade pela qual sua voz se calou. “Por ela ter morrido aos 27, todos o que morreram assim sempre serão lembrados”, acredita.

A lenda envolvendo o número 27 ganhou mais força com a morte de Amy. Não só ela, mas como vários cantores morreram nesta idade. Com tantos nomes em uma lista seleta, foi criado o “Clube dos 27”, na qual fazem parte cantores como Kurt Cobain, Jim Morrison e Jimi Hendrix. Não se pode afirmar que o número oferece perigo aos atuais nomes do rock, porém, sempre haverá a dúvida em torno do 27.

RECADO DOS FÃS

“As pessoas deveriam parar de olhar para a Amy como uma garota problemática e prestar atenção na artista. Ela não apenas divulgou a própria música, mas apresentou para essa geração outros grandes nomes esquecidos da músicas, principalmente dos anos 70, como Ronettes e Shangri-las”, afirma Rosane, que acredita que se Amy tivesse uma nova oportunidade não faria diferente. “Tudo que viveu foi muito real. O amor, as drogas, o sucesso, a decadência… Nada foi forjado, era exatamente o que ela sentia”, completa.

BIOGRAFIA

O pai de Amy Winehouse, Mitch Winehouse, escreveu uma biografia da cantora, onde relembra sua trajetória. Ele conta que no começo da carreira ela já usava maconha e bebia, mas em todos os shows fazia a plateia gritar “drogas pesadas não!”.

A biografia fala ainda da relação tempestuosa com o marido Blake e do relacionamento arrastado. Além de várias curiosidades e sua história de vida contadas em 380 páginas.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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