Alvo de racismo no Peru, Tinga afirma: “Trocaria todos meus títulos por igualdade”


Alvo de racismo no Peru, Tinga afirma: “Trocaria todos meus títulos por igualdade”
Por Gustavo Andrade

Quando jogador do Cruzeiro tocava na bola, torcida do Garcilaso imitava macacos. Tinga foi alvo de racismo da torcida do Real Garcilaso em jogo disputado pela Copa Libertadores.

Mais do que a derrota para o Real Garcilaso, por 2 a 1, o momento mais infeliz da passagem do Cruzeiro pelo Peru envolveu o volante Tinga. Quando o camisa 7 tocava na bola, os torcedores da equipe peruana imitavam macacos. 


Na saída de campo, Tinga comentou sobre os atos de racismo. “A gente fica muito chateado, tenta esquecer ali dentro, tenta competir, mas a gente fica muito chateado de acontecer isso em pleno 2014, acontecer uma coisa dessa em um país tão perto da gente. Infelizmente aconteceu. Eu joguei alguns anos na Alemanha e nunca aconteceu isso e, de repente, aqui, um país tão próximo, tão parecido com a gente, cheio de mistura, acontece uma coisa dessas”, afirmou, em entrevista à TV Globo.

“Eu queria, se pudesse não ganhar nada e ganhar este título contra o preconceito, eu trocaria todos os meus títulos por uma igualdade em todas as áreas, em todas as classes”, acrescentou o volante cruzeirense.

Aos 36 anos, o volante do Cruzeiro ressaltou que a atitude da torcida em Huancayo, no Peru, foi algo inédito em suas participações na Copa Libertadores. “Confesso que fiquei surpreso. Já é minha oitava Libertadores e nunca tinha acontecido isso. Fico bem chateado”, lamentou, em entrevista à Rádio Itatiaia.
“No começo, achei que era por já ser conhecido de outras Libertadores. No começo, achei que era isso. Depois que vi que eram insultos racistas. Fiquei um pouco chateado, mas estamos focados em ganhar. A gente fica bem chateado. Queria dar uma resposta dentro de campo. Joguei quatro anos na Alemanha, nunca aconteceu isso. De repente, num país tão próximo, tão parecido com a gente pela mistura, acontece isso”, complementou o camisa 7 do Cruzeiro.

Tinga entrou no segundo tempo da derrota para o Real Garcilaso. Os sons racistas não aconteceram com outros jogadores negros do Cruzeiro. Durante a partida, a equipe não reagiu, mas os companheiros, o treinador Marcelo Oliveira e o diretor Alexandre Mattos demonstraram revolta com a atitude da torcida adversária.

Fonte: Correio Brazileiro – 13/02/2014 

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