Alunos terão de sair da ESCS


Alunos terão de sair da ESCS

Erro no vestibular mexe com a vida de 60 pessoas, entre os que entram e os que devem deixar a faculdade

Eric Zambon

Entre choro e indignação, os alunos do 1º semestre de medicina e enfermagem da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), mantida pelo governo, receberam a pior notícia: quem não foi contemplado pela nova lista de aprovados não poderá continuar no curso. Os problemas, que vieram à tona após mais de um mês de aulas, são decorrentes da correção equivocada do Cespe, responsável pelo vestibular. O Jornal de Brasília mostrou o caso ontem com exclusividade.

“Minha filha deixou uma vaga na UnB em farmácia para vir para cá”, protesta Elaine Moreno. Sua filha, Ana Terra, 23 anos, está entre os 30 candidatos aprovados de maneira errônea. Segundo o Cespe, o problema aconteceu nas redações devido a um “erro de programação”. Para corrigir os textos, os avaliadores não sabem a identidade do autor, procedimento chamado de mascaramento. Na hora de desmascarar, alguns papéis foram atribuídos aos nomes errados, o que provocou a confusão nas notas.

“A escola foi vítima do erro do Cespe”, alega a diretora-geral da ESCS, Maria Dilma Alves. “Eles assumiram o erro e arcarão com o ônus. Nossa função agora é fazer valer a ordem correta do vestibular, conforme previsto no edital”, diz.

A estudante Ana Terra fez uma tremenda festa quando soube da aprovação em medicina. “Já tinha comprado jaleco e estetoscópio”, reclama. “Foi um dano muito grande, ainda mais emocional”.

Sua colega, Ludmila Ulhoa, 19, deixou aos prantos o auditório onde alunos se reuniram com representantes da instituição. “Estamos tendo aula desde 17 de fevereiro. Não tentei outras oportunidades porque eu já estava aqui”, disse, abalada. Amigos a consolaram, mas foi Ana quem levantou o questionamento que permeia a mente de todos os lesados: “Quem garante que essa nova correção está certa?”.

A descoberta do problema

Os protestos envolvem até o corpo docente, como é o caso de Eliana Mendonça Villar, cuja filha foi uma dos 30 desafortunados. “A responsabilidade é toda do Cespe e ele tem de arcar com o erro. O certo seria matricular tanto quem passou com a nota corrigida como quem já tinha feito aulas”, defende.

As provas aconteceram em 11 e 12 de janeiro e a primeira lista dos 80 primeiros colocados saiu na mesma data do mês seguinte. Dia 17, os calouros iniciaram as aulas e tudo corria bem até uma demanda na Justiça apontar o erro do Cespe. A ESCS admitiu ter tomado conhecimento da situação na semana passada, mas achou melhor revelar o problema anteontem, dia em que foi procurada pelo JBr..

“O tempo entre o saber da notícia e a divulgação foi para que pudéssemos avaliar a gravidade disso tudo e descobrir quais medidas tomar”, informou o coordenador do curso de medicina, Paulo Roberto Silva. “Entendemos o sofrimento de quem pode sair, mas também temos que entender o de quem ficou de fora”, assegurou.

Segundo Fernando Assis Bontempo, da Comissão de Fiscalização de Concurso Público da OAB-DF, apesar da insatisfação dos estudantes, o procedimento é correto. “A primeira coisa a ser feita é assegurar o direito de ingresso de quem passou, seguindo as regras do edital”, diz. “Por outro lado, os prejudicados devem ser ressarcidos material e moralmente”, garante. Ele diz que os alunos devem buscar seus direitos individualmente.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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