Alunos de escola em área rural do Paranoá recebem visita do bom velhinho

Alunos de escola em área rural do Paranoá recebem visita do bom velhinho Os 153 estudantes da Escola Classe Lamarão tiveram um dia inesquecível. Os pedidos, levados ao Bom Velhinho por meio de cartas, foram atendidos, e a festa tão desejada transformou por algumas horas a realidade de uma região muito carente do DF

Sheila Oliveira

Papai Noel dos Correios entre a criança da Escola Classe Lamarão: muitos alunos andam 30km para continuar os estudos

O pátio de 40m² da Escola Classe Lamarão, na área rural do Paranoá, foi insuficiente para a festa que começou com a chegada do Papai Noel dos Correios na manhã de ontem. As caixas de presentes enfeitadas com papel colorido fizeram os olhos dos 153 alunos do Ensino Fundamental brilharem. Depois de ouvir o discurso da diretora e dos organizadores do evento e cumprir o tradicional rito de apresentação de canções natalinas, os estudantes formaram quatro filas indianas correspondentes ao número de turmas da instituição, que conta com apenas quatro salas de aula.

Na última fileira do 5º ano, estava a pequena Vanessa Paiendy Gomes, de 10 anos. Ela aguardava ansiosa por um carrinho de controle remoto cor-de-rosa de uma famosa boneca americana. O embrulho que recebeu das mãos do Papai Noel será o único presente de Natal deste ano. A filha mais velha de um casal de trabalhadores rurais da fazenda Figueira, localizada no Programa de Assentamento Dirigido do DF (PAD-DF), terá que dividir os cuidados e atenção dos pais com o irmão mais novo de apenas seis meses. “Eles estão sem dinheiro. No ano passado, também não ganhei presente, mas já acostumei. De vez em quando, ganho as bonecas usadas das minhas primas e, por isso, pedi o carrinho para brincar com as outras que tenho em casa”, contou.

O jeito tímido e assustado de Vanessa não esconde a realidade social da área rural do PAD-DF. De acordo com a diretora da Escola Lamarão, Maria Vanilda Vieira Amaral, 90% dos estudantes são de famílias carentes, que vivem com menos de um salário mínimo. “São filhos de trabalhadores rurais, que não têm condições financeiras de comprar presentes. Algumas crianças nunca ganharam um brinquedo novo”, afirmou Maria Vanilda.

Segundo ela, alguns alunos percorrem até 30km a pé todos os dias para chegar à escola. “Mesmo com todas as dificuldades de locomoção e financeiras, não há registro de evasão na nossa escola. Crianças e pais são comprometidos com os estudos e com a possibilidade de um futuro melhor”, disse a diretora da Escola Classe Lamarão.


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