Agressor vai recuperar igreja


Por Ariadne Sakkis e Amanda Maia

O autor da destruição parcial da Capela São Francisco de Assis, localilzada na área rural do Gama, vai arcar com todas as despesas para a restauração do prédio considerado um cartão-postal. O templo é um dos mais procurados para a realização de casamentos.

A capela, no Núcleo Rural Casa Grande, teve as vidraças quebradas, colunas de mármore danificadas e as portas queimadas.

Considerada uma das mais belas igrejas do Distrito Federal, a Capela São Francisco de Assis, no Gama, foi vandalizada na tarde da última quinta-feira. Mesmo localizada em um local recluso, no Núcleo Rural Casa Grande, a edificação foi vítima de um homem embriagado que quebrou vidraças, danificou colunas e ateou fogo na igreja. Ele, morador da região, foi preso após ser imobilizado por populares. A família do suspeito pediu desculpas aos religiosos e prometeu arcar com os reparos. Por sorte, este era o único fim de semana sem casamentos marcados ali. …

A área da capela é cercada e fechada por portões, além de ter monitoramento de segurança privada. Mas nada impediu que Cláudio Adão Medeiros dos Santos, 28 anos, entrasse no local por volta das 5h. Segundo a Polícia Civil, ele estava sob efeito de álcool e destruiu vidros, colunas, mármores da fachada e do interior da capela, além de colocar fogo da porta principal. Ainda de acordo com a polícia, o zelador do local tentou conter o homem, mas Cláudio revidou, o que deu início a uma briga. A confusão somente acabou quando vizinhos escutaram a confusão e imobilizaram o rapaz.

Ele foi conduzido à 33ª Delegacia de Polícia (Santa Maria) e liberado, após assinar um Termo Circunstanciado no qual se responsabiliza pelos estragos. O secretário-geral da paróquia, Gilvan de Oliveira Veras, disse que os reparos serão custeados pela família de Cláudio. “Eles pediram desculpas e disseram que vão pagar a reforma. Amanhã (hoje), as atividades da igreja serão retomadas”, afirmou. Ontem à tarde, a capela ficou fechada à espera de peritos da Polícia Civil. O secretário não soube estimar o valor dos prejuízos.

Situada em um vale de grande beleza, a igreja é muito procurada para casamentos, com lista de espera que atravessa meses em busca de uma data disponível. Felizmente, nenhum evento estava marcado para este fim de semana. Gilvan acredita que os reparos serão providenciados até a semana que vem. Na página da capela em uma rede social, foram publicadas as fotos da destruição. “Vivemos em uma sociedade em que nem a casa de Deus é mais respeitada. Triste ver isso.”, dizia a mensagem que acompanhava as imagens. A capela é vinculada à Paróquia São Miguel Arcanjo e foi inaugurada em 2004.

Ponto turístico

Além de noivos, a Capela São Francisco atrai turistas, por ser considerada um dos cartões-postais do Gama. Os portões fechados frustraram os visitantes que, ontem, tentaram apreciar as belezas do local. O estudante de medicina Leonardo Rafael, 29 anos, veio de muito longe para mostrar a igreja à namorada, Emylle Saturnino, 23. “Moro na Bolívia, e ela, no Acre. Vim mostrar Brasília e, especialmente, esta igreja. Infelizmente, não pudemos entrar. É uma pena. Viemos de muito longe”, disse ele, que antes de viver no país vizinho, morava no Gama.

Já o motorista José Luiz Silva, 49 anos, tentava mostrar a capela aos filhos, mas, quando chegou, se deparou com portões cerrados e uma viatura da Polícia Militar Ambiental no local. “Quis trazer as crianças para ver esse cartão-postal, esse patrimônio da cidade. É muito triste acontecer esse tipo de coisa com uma obra tão bonita”, lamentou.

O coordenador de comunicação da Arquidiocese de Brasília, padre José Emerson, repudiou o acontecimento. “É um ato impensado. Vi que ele estava embriagado, mas nada justifica. A pessoa que cometeu o crime não tem a visão de um católico ou mesmo um cidadão de respeito. É um monumento, as pessoas gostam de ir lá para um momento de reflexão e silêncio. É uma falta de respeito não só com a igreja, mas também com a comunidade”, afirmou.

Memória

Ataque a catedral

A noite de 20 de junho de 2013 será lembrada como um dos dias de maior tensão na sequência de protestos que tomaram as ruas de Brasília ao longo daquele mês. Manifestantes invadiram o Palácio do Itamaraty e atearam fogo nas cortinas e paredes. No final daquela noite, quando policiais e manifestantes contavam os confrontos e um verdadeiro quebra-quebra acontecida na Esplanada, com a destruição de placas, holofotes e paradas de ônibus, um dos presentes atirou uma pedra na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, concebida por Oscar Niemeyer. Três vitrais trincaram. Um outro grupo também fez duas pichações na parte externa da igreja. Os estragos foram rapidamente reparados.

Fonte: Jornal Correio Braziliense – 25/01/2014

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