Aécio poderá ter duplo palanque em Brasília

 
Aécio poderá ter duplo palanque em Brasília Ex-secretário de José Roberto

Arruda quer união para mudar tanto o Planalto quanto o Buriti

Daniel Cardozo

 
Pré-candidato a governador pelo PSDB e ex-secretário de Obras do GDF, Márcio Machado acredita em palanque duplo para Aécio Neves no Distrito Federal. Conta também com uma candidatura do ex-governador José Roberto Arruda. Machado já fala sobre a possibilidade da união de todas as forças de oposição e até trabalha com a hipótese de se aproximar do grupo político do também ex-governador Joaquim Roriz. “Vamos trabalhar firme para essa união. Com certeza, o PSDB e esses candidatos já colocados estarão juntos para fazer a mudança que Brasília merece e precisa”, disse. Ex-presidente regional do PSDB, Machado disputa a candidatura tucana com os deputados federais Luiz Pitiman e Izalci Lucas.

Porque, embora o PSDB seja um dos maiores partidos do País e o DF represente um palanque importante para a candidatura do senador Aécio Neves, ainda não houve decisão sobre candidatura a governador?

Nós estamos discutindo internamente a nossa situação e temos três pré-candidatos legitimamente colocados. Todos têm o direito de se apresentar e essa questão está sendo bem analisada, discutida com o presidente regional, Eduardo Jorge, e também com o presidente nacional, Aécio Neves. Vamos chegar a um denominador comum porque precisamos estar unidos para ajudar Aécio a assumir a presidência da República. Esse é o nosso principal objetivo.


Como vai ser tomada a decisão?

Nós estamos buscando insistentemente uma união do partido, em torno dos três pré-candidatos colocados. Vamos fazer todo o esforço para sair dessa condição harmonicamente. É claro que a executiva nacional tem todo o interesse nessa questão por conta da candidatura de Aécio. Estaremos sempre buscando esse entendimento com a cúpula nacional para que possamos tomar a decisão e que ela aconteça em um tempo razoável. Lógico que podemos partir para uma prévia, que é legítima, democrática. Mas eu acredito que não haverá essa necessidade. .

Uma chapa com apoio ou mesmo presença dos ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda, além do senador Gim Argello, afeta o PSDB?

É uma aliança que repercute muito fortemente aqui no Distrito Federal, por serem figuras políticas que têm histórias de realizações. Respeitamos muito tanto Joaquim Roriz quanto José Roberto Arruda, que fizeram tanto e são reconhecidos pelas pesquisas. Lógico que os dois transitam também no campo das oposições, assim como o PSDB. Vamos buscar a interlocução, a união das oposições, para chegar a um entendimento e tirar o PT do poder. Parece-me que existe esse objetivo comum.

Qual sua avaliação do governo Agnelo?

Acho que não é minha, mas de toda a população, haja visto que as pesquisas já divulgadas desde o primeiro ano de governo apontam firmemente que sua aprovação é de apenas 9% e a desaprovação chega a 70%. Então a população está vendo claramente a incompetência, preparo e disposição do próprio governador Agnelo para fazer uma gestão pública eficiente, que faça com que os recursos públicos arrecadados, que são muitos, possam ser retornados em benefício da população, principalmente a parcela mais carente. Posso dizer que, quando eu saí da Secretaria de Obras, deixei projetos prontos e convênios com a Caixa assinados, para fazer toda a infraestrutura do Sol Nascente e do Pôr do Sol. Eram mais de R$ 200 milhões. E até hoje não sai a licitação para essas obras. É incrível como esse governo é incompetente. Ele falou que assumiria a Secretaria de Saúde para resolver o problema em seis meses, mas não teve coragem e a saúde do DF é a pior do Brasil, já demonstrado em pesquisa.

Quais dos candidatos já colocados na disputa são vistos pelo senhor como fortes?

Todos são candidatos viáveis. Teremos que respeitá-los pela história de cada um deles na política. No nosso campo, temos a deputada Eliana Pedrosa (PPS), o Fraga, presidente do DEM, o senador Rollemberg (PSB). Mas vamos trabalhar firme para a união dos partidos de oposição. Com certeza, os candidatos colocados até agora, inclusive os do PSDB, estaremos juntos nessa união, para fazer a mudança que Brasília merece e precisa.

O senhor acredita na viabilidade jurídica das candidaturas dos ex-governadores Arruda e Roriz?

São questões que se arrastam há algum tempo, nos dois casos. Mas os dois entendem que estão habilitados e as questões jurídicas não os impedirão de participar desse processo eleitoral, viabilizando as suas candidaturas. É um processo jurídico que se arrasta. Os dois têm manifestado a esperança de absolvição, até antes do desenlace do processo eleitoral.

A deputada distrital Liliane Roriz, hoje no PRTB, quase se filiou ao PSDB e compareceu a evento do partido. O que significa essa proximidade da família Roriz?

A relação do PSDB com o governador Roriz e com todo seu grupo político é histórica. A governadora Abadia, que foi vice do Roriz e depois assumiu o governo, foi em uma composição do PSDB com o governador. É uma família que nós respeitamos muito. A deputada Liliane Roriz tem feito um trabalho extraordinário e tem grande futuro político.

O senhor acredita que as coligações no DF vão acompanhar rigorosamente as composições nacionais?

Não. Muitos partidos liberam os estados de suas composições, por questões regionais. A direção nacional precisa entender isso perfeitamente para conhecer cada estado e a situação para fazerem as alianças dos grupos políticos que são próximos em cada região, diferentemente das composições nacionais. A presidente Dilma tem quase a totalidade dos partidos, são 32 partidos e ela deve ter próximo de 30 deles na sua base. Mas nos estados é diferente. Em alguns lugares, partidos da base do governo federal estão na oposição aos governos estaduais. Nós vamos assistir a composições distintas.

No caso específico do PSDB, o senador Aécio pode ter mais de um palanque no DF?
Ele está construindo isso em vários estados e claro que demonstra vontade de fazer isso aqui em Brasília. As conversações estão acontecendo e, lógico, quanto mais aliança, mais apoio ele tiver, melhor para sua candidatura. Ele não deve descartar de forma alguma ter mais de um palanque em Brasília.

Qual a sua avaliação sobre o trabalho da Secretaria de Obras da atual gestão?

A população reconhece muito bem o que foi feito no governo Arruda, comigo como secretário de Obras. Conseguimos fazer um total de 2 mil obras, importantes para a sociedade. Desde quadra polivalente de comunidade carente onde não havia nenhuma prática de esportes, como toda a urbanização de várias cidades. Itapoã, Arapoanga, Mestre D’Armas, QNEs de Ceilândia, Estrutural receberam infraestrutura urbana, asfalto, águas pluviais, iluminação pública, escola, restaurante comunitário, vilas olímpicas. Eu fazia questão de visitar todos os locais. E essa população reconhece. Isso hoje não acontece. Não sei porque a Secretaria de Obras, que é comandada pelo vice-governador Tadeu Filippelli, ex-secretário e grande figura política, não está conseguindo realizar o que a sociedade precisa. Os projetos que estão aí fomos nós que fizemos, deixamos prontos, licitados ou até iniciados. Toda a cidade vê isso, que são projetos do governo Arruda. Talvez hoje o governador Agnelo seja o maior cabo eleitoral de qualquer candidato, por estar mostrando incompetência.

O Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) era um desses projetos, mas sofreu contestações judiciais, adiamentos e hoje, pelo visto, está abandonado. O que aconteceu?

Aquele projeto foi feito com uma concepção extraordinária. Seria a melhor solução para o transporte público da W3 e trazer o passageiro do Aeroporto até a ponta da Asa Sul, fazer a integração, passar pelo centro de Brasília e chegar até a Asa Norte. Esse projeto foi muito estudado, com concepção extraordinária, custo relativamente baixo, para um transporte de qualidade e eficiente. Entretanto em 2010 o Ministério Público pediu o cancelamento do contrato, que foi feito, e até hoje o governo não conseguiu fazer a licitação nesse projeto, que é tão importante para a cidade.

O senhor acredita que esse projeto ainda vá para frente?

Acredito, sinceramente. É um projeto extremamente necessário, até porque a população reclama da questão de acessibilidade e o sistema de transporte público eficiente é muito importante, seja metrô ou VLT. Nós acreditamos que em um futuro breve a população de Brasília poderá ser contemplada com esse projeto maravilhoso.

Caso eleito governador, qual será sua bandeira?

Já estou elaborando uma base de um programa de governo. Educação é a prioridade zero. Este país e a população brasileira não vão se emancipar enquanto não tiverem educação plena, investimentos com bastante recursos para promovermos as reformas, as qualificações, a promoção da educação. Também a questão da segurança aflige a todos. É um momento crítico, haja visto que tivemos em janeiro 78 assassinatos. Isso é um recorde. Temos que dar tolerância zero para a violência. Junto com essas duas prioridades vem a acessibilidade, um transporte público eficiente.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

About A Politica e o Poder

%d blogueiros gostam disto: