Adolescentes matam mulher com 47 facadas no Núcleo Bandeirante


Um adolescente de 14 anos e outro de 16 são acusados de dar 47 facadas em uma mulher de 21 anos

A história se repete. Mais uma vez menores de idade estão envolvidos em um crime bárbaro no Distrito Federal, resguardados pelas diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente. Desta vez a ação ocorreu no Núcleo Bandeirante. Dois adolescentes, um de 14 anos e outro de 16 anos, são acusados de assassinar, com 47 facadas, Dienifer Rayza Miranda da Silva, 21. A jovem era mãe de dois filhos, estava em casa e dormia quando foi abordada pela dupla.

De acordo com o delegado João Carlos Lóssio, da 11ª DP (Núcleo Bandeirante), a vítima era usuária de drogas e tinha envolvimento com traficantes da Vila Kauê. Lóssio diz que a jovem vinha ameaçando algumas pessoas, fazendo uso de redes sociais para insultá- las. O garoto de 14 anos seria um de seus desafetos.

Depois de um relacionamento amoroso rápido com a garota no ano passado, o rapaz teria passado a ser perseguido por ela, principalmente por questões relacionadas ao uso de drogas. A jovem chegou a procurar a mãe do adolescente para informá-la do envolvimento de seu filho com entorpecentes, o que o irritou ainda mais.

O crime
Durante a madrugada da última sexta-feira, o garoto ameaçado teria procurado o comparsa para ajudá-lo no crime. Segundo a polícia, os dois se reuniram e fumaram maconha enquanto planejavam o que fariam com Dienifer na manhã seguinte. Por volta das 7h, eles teriam se encontrado em frente ao posto policial do bairro da Divineia. Mais uma vez teriam feito uso de drogas. Munidos de um estilete de ponta retrátil, os adolescentes seguiram para a casa de Dienifer e cometeram o crime.

Frieza

“Chegamos aos suspeitos por meio de denúncias anônimas. O mais novo estava em casa, arrumando a bicicleta como se nada tivesse acontecido e demonstrando uma frieza fora do normal. Achamos o short usado por ele no momento do crime ainda sujo de sangue”, conta o delegado.

“Já o mais velho foi achado em uma via pública, com dinheiro e drogas, ao que tudo indica, pronto para revendê-las. Em sua residência também encontramos a roupa que ele havia usado, já lavada. A arma do crime ainda não foi recuperada”, completa Lóssio.

Jbr mostrou

Na semana passada, o JBr. apurou que um em cada três homicídios é cometido por menores do DF, e acompanhou os casos de outros dois jovens apreendidos por esse crime.

Um deles, com apenas 17 anos, é acusado pela morte de quatro pessoas na região de Planaltina, cometidos este ano, e por mais duas em 2013.

O outro, com 16 anos, é investigado pelo assassinato de um brigadeiro reformado da aeronáutica, baleado porque não teria obedecido ao comando de descer do carro dele.

Outras passagens pela polícia

Vizinhos de Dienifer que preferiram não se identificar relatam que, na semana anterior ao assassinato, a mãe do garoto mais novo teria ido à casa da vítima e a agredido fisicamente. Eles disseram ter medo de represália, pois a região “está tomada por traficantes”. A polícia acredita que a mãe do menino não aprovava o envolvimento de seu filho com a mulher.

Após ser apreendido, o jovem de 14 anos confessou o crime e disse que foi motivado pelas ameaças que vinha sofrendo da garota. Ele já tinha passagem pela polícia por porte e uso de drogas. O adolescente de 16 anos, por sua vez, já respondeu pelos atos infracionais análogos aos crimes de porte, uso e tráfico de drogas, associação para o tráfico, receptação, roubo e ameaça.

Maioridade penal

Os dois foram encaminhados a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). Eles devem cumprir, mais uma vez, medidas sócio-educativas por porte e uso de drogas e pelo ato infracional inédito para os dois: o homicídio.

Segundo João Carlos Lóssio, “é a primeira vez que um crime cruel como esse é cometido por um menor nessa região. Ainda assim, o envolvimento deles tem sido recorrente. Precisamos repensar urgentemente o Estatuto da Criança e do Adolescente. Ou aumenta-se o tempo de internação ou diminui-se a maioridade penal. Os jovens têm uma sensação clara e perigosa de impunidade”.

O delegado explicou ainda que o tempo mínimo de retenção neste caso é de 45 dias e o máximo de três anos. “Acho que eles deveriam pegar o tempo máximo, mas não sei se isso vai acontecer”, completou.

A polícia diz não acreditar na participação do ex-marido de Dienifer no crime, hipótese que foi cogitada em um primeiro momento.

O momento dos golpes

Dienifer Rayza (foto) morava na rua 10 da Av. Metropolitana, em um barraco alugado, no fundo de um terreno com vários imóveis para locação. Os acusados conseguiram entrar no lote com facilidade e ao chegar à casa da vítima, encontraram a porta e as janelas abertas. Segundo a polícia, a garota estava dormindo quando foi abordada. Nesse momento, o menino de 14 anos segurou a boca da vítima para abafar os gritos enquanto o mais velho desferia os golpes. Na sequência houve uma troca e o mais novo a esfaqueou também.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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