Acidentes deixam dor e revolta


Patrícia Fernandes

O Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito, comemorado no terceiro domingo de novembro, foi marcado por muita emoção. Durante o evento, que aconteceu no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, foi promovida uma série de ações para conscientizar sobre o número alarmante de mortes no trânsito – são 60 mil por ano- e alertar sobre as medidas necessárias para reduzir esse índice. O evento contou com demonstrações de atendimento a vítimas, missa, culto e com shows como o do padre Fábio de Melo.

Entre as tristes histórias de pessoas que perderam entes queridos, todas tinham em comum a perigosa combinação de álcool e volante. Segundo o deputado federal e autor da Lei Seca, Hugo Leal (PROS/RJ), a população precisa se engajar na luta para a redução das mortes nas pistas.

Da dor veio a força

Aprender a conviver com a dor de perder um filho não estava nos planos do radialista Gilmar Yared, 53 anos, mas em maio de 2009 ele foi forçado a isso. “Fui acordado por agentes funerários informando a morte do meu filho. É uma dor que não tem explicação”, relembrou o pai de Gilmar Rafael Yared, na época com 26 anos de idade. Na época, o caso ganhou repercussão nacional pelo envolvimento do então deputado estadual de Curitiba Fernando Ribas Carli Filho. “Ele estava embriagado, com a carteira cassada. stava dirigindo a uma velocidade de 190 km/hora em uma via em que o máximo permitido era de 60 km”, contou. Hoje, o acusado aguarda o julgamento em liberdade, afirma o pai da vítima.

Com o tempo, Gilmar decidiu transformar o pesar em força e fundou o Instituto Paz no Trânsito.

Assinaturas para mudar a lei

Para a sanitarista Núbia Melo, 57 anos, a certeza da impunidade contribui para os elevados índices de mortes no trânsito. Ela é tia do biólogo e ciclista Pedro Davison, que morreu atropelado no Eixão Sul, em 2006, quando tinha apenas 25 anos de idade. A tia conta que o condutor do veículo que o atingiu estava embriagado e fugiu sem prestar socorro. Porém, foi preso ainda no Eixão. “Foi um crime e hoje ele está solto”, lamenta. Em fevereiro de 2012 ele foi à Juri Popular e condenado a seis anos de detenção por homicídio doloso, quando existe a intenção, já que ele dirigia alcoolizado e invadiu a área central exclusiva para pedestres e ciclistas, porém cumpre a pena em liberdade.

“Não foi acidente”

Núbia Melo lembra que o sobrinho era cheio de vida. “Após a morte dele, recebemos a confirmação de que ele havia passado em cinco concursos públicos”, afirma. O jovem morreu na data de aniversário de 8 anos da filha.

O movimento Não foi acidente, criado por Rafael Baltresca, que teve mãe e irmã atropeladas e mortas por um motorista que dirigia embriagado e em alta velocidade, tem como objetivo buscar reforma nas leis de trânsito. Para isso, Rafael vem buscando o maior número de assinaturas por meio de uma petição eletrônica.

Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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