A turma da pipoca na corrida de rua


A turma da pipoca na corrida de rua

Eles não pagam inscrição e apontam o motivo: o preço está cada vez mais salgado

Kiara Mila Oliveira

Não tem trio elétrico, muito menos música. A trilha sonora que embala o evento é o som da respiração e o barulho do tênis quando encosta no chão. Longe de ser um Carnaval, as corridas de rua também têm a “Turma da Pipoca”. Sim, eles existem! E tomam da mesma água dos que pagam, dividem a pista e saem com a mesma sensação de dever cumprido ao fim da prova.

Pipoqueiros assumidos, a justificativa para correr “fora da corda” é quase unanimidade: o preço abusivo cobrado para a participação na maioria dos eventos. “No Rio de Janeiro, por exemplo, o primeiro lote de uma Meia Maratona chega a custar R$ 60. Aqui, a média de preço passa dos R$ 100”, critica o vendedor Darlan Chagas.

Eleito o “fora da corda” número 1, principalmente por correr com uma camiseta cheia de pipocas grudadas, Rogério Causino defende a causa. A repercussão da ideia foi tão grande que, na última Meia Maratona na cidade, em fevereiro, ele disse ter visto muita gente adepta. “Fiquei admirado, mas até agora não vi ninguém com uma camisa como a minha”, brinca.

Dói no bolso

Revoltado com os valores cobrados na inscrição, Durcésio Martins afirma não ser um pipoca nato, mas confessa que a atitude é tentadora quando se depara com as taxas. “Não dá para gastar R$ 400 por mês só para correr. É um absurdo!.”

Somados os valores da Meia Maratona, Desafio das Torcidas, Circuito das Estações, Corrida das Pontes, Desafio das Torcidas e Corrida do Coração o corredor desembolsaria R$ 359.
Serviço
A Corrida da Igualdade Racial, hoje, às 17h, no Autódromo Nelson Piquet conta com a adesão de 1.300 corredores, e teve inscrição gratuita.
Com dois percursos (5 km e 10 km), os três primeiros colocados receberão troféus.

Organizadores divergem


“Não pago, corro e bebo a água que eles oferecem”, protesta o corretor Durcésio Martins. A água, no entanto, é um problema destacado por Francisco Xavier, organizador de provas importantes como a Corrida de Reis e a Meia Maratona de Brasília.

Ele conta que passou por muitos apertos quando notou inscritos sem oportunidade de se hidratarem. “Eles bebem mesmo e é difícil controlar isso porque as corridas acontecem em locais públicos e abertos”, reconhece Xavier, que garante. “Nem com as reservas (de copo) tem jeito.”

Segundo o organizador, seria melhor o “pipoca” não disputar a prova paga pelo bem do andamento da corrida. “Toda a estrutura é montada prevendo os que pagaram por ela”, argumenta.

Com um discurso oposto ao de Xavier, o também organizador Albenes Souza critica fortemente os altos preços cobrados nas corridas de rua e a exclusão dos que não tem condições de contribuir.

“Antigamente as corridas tinham um público de baixa renda muito grande. Até o tênis era mais barato. Hoje, é um esporte mais elitista e o corredor pobre agora pratica sozinho”, lamenta.

Hoje é de graça
Em comemoração ao Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, comemorado em 21 de março, hoje, a partir das 17h, a Corrida da Igualdade Racial não cobrará nenhuma taxa aos participantes.

As inscrições foram abertas em 20 de março e em uma hora esgotaram as 1.000 vagas. A Secretaria de Esporte disponibilizou outras 300 durante a semana, que também foram preenchidas rapidamente.

Mas isto não impede que os não inscritos prestigiem o evento no Autódromo Nelson Piquet.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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