A fórmula do sucesso dos milionários


Pesquisa mostra as dez profissões que mais formam ricaços no mundo
Eric Zambon

Em 2002, no extinto programa de Silvio Santos, Show do Milhão, um professor ficou a uma resposta de conquistar o prêmio máximo: R$ 1 milhão. Ele errou quantas letras havia na frase “Ordem e Progresso”, e saiu da atração com meros R$ 300, para a incredulidade dos expectadores. Mas nem todos contam com a sorte para se tornar um milionário. Para aqueles que querem alcançar essa meta por meio do trabalho, uma dica: um estudo mostra quais são as dez profissões que mais tornam esse sonho possível.

Segundo o Relatório Sobre a Riqueza Mundial 2013, elaborado pela consultoria Capgemini em parceria com a RBC Weath Management, há pouco mais de 165 mil brasileiros cujas possibilidades de investimento ultrapassam os seis dígitos. Na prática, isso é menos que 0,1% da população do País.

Primeiro negócio

Em análise do currículo das pessoas mais ricas do mundo, a consultoria WealthInsight apontou que a profissão que mais forma bilionários e milionários é engenharia. Apesar disso, a maioria enveredou pelo ramo empresarial e possui ou é sócio de alguma marca renomada.

O estudante Ricardo Reis, 23 anos, em breve, vai aliar a engenharia ao empreendedorismo, fórmula teoricamente vencedora. “Meu primeiro objetivo era ter meu próprio negócio. Agora, me imagino bem de vida depois que der certo”, conta. Ele percebeu que gostava de engenharia civil enquanto terminava sua primeira graduação, em agrimensura, e decidiu direcionar a oferta de serviços de sua futura empresa de acordo com as matérias com as quais tem afinidade no seu curso de faculdade atual. “Depois de decidir por esse caminho, pesquisei sobre as oportunidades que a engenharia oferece. É uma área muito ampla”, explica.

Ricardo acredita que não é por acaso que sua profissão está entre as maiores formadoras de “ricaços”. “A grade de conteúdo é muito vasta. Estudamos desde sociologia e português à resistência dos materiais. Querendo ou não, isso expande sua mente. O engenheiro é um grande resolvedor de problemas”, conclui.

Nem tão ricos assim

As chances do pobre ficar rico são bem limitadas, sentencia o doutor em sociologia e economista Marcelo Medeiros. “Pelos canais convencionais, ou seja, o trabalho, é pouco provável que alguém da classe baixa termine a vida na classe mais alta. Quando acontece é uma exceção e não a regra”, diz.

A visão aparentemente pessimista do especialista encontra ressonância entre a população. O advogado Régis Alves Barbosa, 41 anos, não tem esperanças de melhorar significativamente a renda familiar tão cedo por meio de seu próprio esforço.

O atalho usado na tentativa de cumprir a meta é o mesmo que centenas de milhares de brasileiros também procuram anualmente: a loteria. “O jeito é apostar e acreditar. Se eu vencer, compro uma passagem só de ida para o Caribe e esqueço desse mundão”, afirma, com bom humor.

Bem-sucedida

O DF é uma unidade da Federação relativamente bem-sucedida, ao menos em estatísticas. Possui a maior renda per capita do País (mais de R$ 40 mil) e o oitavo maior Produto Interno Bruto (quase R$ 100 bi). Na cidade há empresários e grupos que ostentam patrimônios e muita influência.

Esses números, porém, encobrem outra situação: atualmente temos o segundo maior índice de desigualdade social do Brasil. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a capital tem nota 0,572, numa escalda de 0 a 1.

“A desigualdade no DF é grande, em parte pela distribuição de salário do serviço público. Tudo aqui tem a ver com funcionalismo público”, diz Marcelo Medeiros. Ele defende que isso faz com que o setor privado se concentre basicamente em prestar serviços a essa categoria de trabalhadores, o que enfraquece o potencial da indústria local.

O economista José Carneiro partilha dessa visão. “Em Brasília, para entrar no serviço público tem que ter boa educação, mas quem geralmente tem boa educação? Quem é filho da pessoa que já está no serviço público. É um ciclo vicioso”, diz.

Ele vai além, alegando que a noção de riqueza na capital é extremamente limitada. “Pessoas que ganham salário acima de R$ 10 mil já são avaliadas pelos outros como pertencentes a uma porcentagem superior de distribuição de riqueza. Mas se falarmos em riqueza mesmo, com carros de R$ 300 mil, existem poucos ricos em Brasília.”

As pessoas buscam vida boa

Há dois meses, o empresário Alexander de Almeida se tornou figura notória depois de uma reportagem da Veja São Paulo que mostrou o cotidiano do milionário paulistano. O homem, de 39 anos, chega a gastar R$ 50 mil em uma única noitada, fora os objetos de luxo que possui, como um carro Ferrari e roupas de marca.

A exposição gerou reações diversas, do divertimento à indignação pela futilidade do personagem. Mas, segundo o economista José Carneiro, a realidade retratada constitui uma espécie de fetiche financeiro de muitos trabalhadores. “As pessoas querem os ganhos altos e querem a chamada boa vida”, afirma.

O especialista, porém, tem uma visão diferente quanto à possibilidade de enriquecimento do proletariado. “Uma coisa é a estabilidade na proporção de pobres e ricos em uma sociedade, outra coisa é a mobilidade de pessoas entre classes sociais distintas”, explica.

Para ele, existem casos que servem para embasar sua fala. “A família Pires de Araújo (antigos donos da rede Planaltão de supermercados), por exemplo. Eles eram pobres aos 20 anos de idade e hoje estão entre os grupos empresariais mais ricos da cidade. Os principais casos de riqueza estão envolvidos com comércio”, diz.

Determinação

Seja na fé do advogado Régis ou no empreendedorismo do estudante Ricardo Reis, o caminho para ser bem sucedido é árduo, especialmente para quem não nasceu em berço de ouro. Ambos, porém, compartilham a característica que ao menos fará com que sigam tentando, o que é imprescindível para chegar em algum lugar- e que seja ao primeiro milhão: a determinação.

Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

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