Vídeo deixa dúvidas sobre ação de PMs que acabou em morte em SP
A polícia de São Paulo afastou nesta quarta-feira (30) das ruas dois policiais militares, suspeitos de executar um homem na periferia da capital. Eles alegam que o rapaz estava armado e reagiu à ordem de prisão.

A polícia de São Paulo afastou nesta quarta-feira (30) das ruas dois policiais militares, suspeitos de executar um homem na periferia da capital. Eles alegam que o rapaz estava armado e reagiu à ordem de prisão. Mas um vídeo e o depoimento de uma testemunha deixam dúvidas em relação à conduta dos PMs.

Uma parente do homem morto esteve nesta sexta-feira (30), no Departamento de Homicídios da Polícia Civil de São Paulo.

“Eu vim entregar o vídeo e pedir que eles investiguem e que os culpados sejam punidos”, diz a mulher.

O vídeo a que ela se refere foi gravado no dia 12 deste mês, por um morador, com um celular.
Nele, Natanael da Conceição aparece tentando escapar da polícia.

Segundo os PMs que participaram da ação, Natanael dirigia um carro roubado, com outros dois homens, no bairro do Grajaú, na Zona Sul da capital, quando foi abordado pelo Soldado Uilian Lougati e pelo cabo Marco Túlio Prates. Foram eles que fizeram o boletim de ocorrência.

Segundo os PMs, na fuga, Natanael bateu o carro no portão de uma casa. Um dos homens foi preso imediatamente. Outro fugiu. Natanael saiu correndo e foi perseguido por um policial, como mostra o vídeo feito pelo morador. Um dos PMs manda Natanael encostar na parede.

No B.O., os PMs disseram que ‘neguinho’, apelido que seria de Natanael, lutou com o soldado Lougati. Foi quando o cabo Túlio, chegou e mandou Natanael se entregar. O rapaz teria sacado uma arma. Para se proteger, os policiais dispararam 8 tiros contra ele. O cabo Túlio deu três, e Lougati, cinco. Mas no vídeo, Natanael aparece de mãos vazias.

No final do vídeo, a pessoa que está com o celular corre e entra num lugar escuro. Nesse momento, dá para ouvir um estampido.

Uma testemunha afirmou ao repórter Bruno Tavares que Natanael estava desarmado. “Em momento algum, nenhum, estava armado”, afirma.

Ela também conta que ele se escondeu atrás dela. “Ele falava: ‘Amiga, não sai daqui, pelo amor de Deus, amiga, ele vai me matar. Ele não quer me prender, ele quer me matar’. E aí, o policial começava a falar, me chamar de Zé Povinha, falando que se eu não saísse, ele ia me matar também, que ele não ia deixar testemunha”, relata.

Os dois policiais foram afastados do trabalho nas ruas. Nesta quarta, a corregedoria levou os PMs até o local onde Natanael foi morto, para fazer uma reconstituição, com base no vídeo e no depoimento deles. O Departamento de Homicídios da Polícia Civil também investiga o caso. E a tarde, pediu a prisão temporária do soldado e do cabo.

Na noite desta sexta-feira, a Corregedoria da PM disse que os policiais reforçaram a tese de que Natanael estava armado, mas que isso não aparece no vídeo. “Ele continua correndo atrás, em mais uns 380 metros do local da filmagem, onde Natanael, nesse momento, se atraca com o soldado Lougati e o cabo Túlio diz: ‘cuidado, ele está armado’. Nesse momento ele saca uma arma, um 38. É a versão apresentada pelos policiais”, afirma o Ten.Cel. Marcelino Fernandes da Silva, porta-voz da corregedoria da PM.

A Justiça de São Paulo decretou a prisão temporária dos dois policiais, por 15 dias. O porta voz da PM disse que outras testemunhas serão ouvidas na investigação. De janeiro até esta sexta, 258 civis foram mortos em confrontos com a polícia, em São Paulo. No mesmo período, 35 policiais foram assassinados – quatro em serviço. Os outros eram aposentados ou estavam de folga.

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