Fumaça liberada por motores a diesel causa câncer de pulmão

 

 Fumaça liberada por motores a diesel causa câncer de pulmão

A fumaça que sai do escapamento de motores a diesel é cancerígena para os pulmões humanos, de acordo com um grupo de trabalho científico da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Especialistas da Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC) foram unânimes em concordar que há provas suficientes para classificar a combustão do diesel como substância cancerígena de grupo um, de acordo com Christopher Portier, presidente do grupo de trabalho. Também há evidências, mais limitadas, de que a liberação do diesel possa causar câncer de bexiga.
A classificação é uma mudança – em1989, aIARC considerou a fumaça gerada pela combustão do diesel como “provavelmente” cancerígena. Re-avaliar essa condição tem sido uma prioridade para a agência desde 1998.
Os especialistas também observaram o risco de câncer da fumaça da combustão da gasolina e concordaram que ela continua a ser uma substância do grupo 2B – ou seja, que “possivelmente” cause câncer em seres humanos.
Embora o grupo tenha sólidas evidências de que a fumaça do diesel possa causar câncer, não se sabe exatamente qual o nível de exposição necessário para aumentar o risco de doença.
Segundo Kurt Straif, da IARC, grande parte das evidências revistas pelo grupo focaram em pessoas com exposição ocupacional à fumaça dos motores a diesel – mineiros subterrâneos, motoristas de ônibus e trabalhadores ferroviários, por exemplo. Para essas pessoas, a evidência sugere um aumento significativo no risco – duas a três vezes para os mineiros, por exemplo.
A evidência é mais limitada para as pessoas com exposição não-ocupacional, mas a conclusão do grupo é que “realmente se estende a todas as exposições, incluindo a exposição da população em geral através do escape no tráfego.”
Por outro lado, para a maior parte dos agentes cancerígenos, o risco está associado com a dose. “Quando há alta exposição, o risco é maior e quando a exposição é menor o risco é baixo”, afirmou.
A evidência sugere claramente que a combustão do diesel é uma questão de saúde pública, comentou Christopher Wild, diretor da IARC. Mas cabe às agências reguladoras decidir o que fazer com as descobertas. “Nosso papel tem sido o de resumir a evidência científica e colocá-la em domínio público, de modo que os governos possam tomar decisões”. Mas acrescenta que é importante que as agências reguladoras nacionais e internacionais coloquem essa evidência na balança.
Um resumo das conclusões do grupo de trabalho deverá ser publicado na edição online da revista The Lancet Oncology.

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